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Resenha| Flores para Algernon

Por Porre de Livros •
27 de setembro de 2018
Em Flores para Algernon, conheceremos Charlie Gordon, um jovem com QI 68. Com esse QI, o que podemos esperar? Nada de muito surpreendente. Só que as coisas mudam quando ele é convidado a participar de um experimento que precisa ser testado em humanos. O experimento consiste em tornar a cobaia um gênio, e o que Gordon mais queria? Ser inteligente. Logo, essa seria a oportunidade perfeita para o jovem. Porém, isso viria com algumas consequências. E Gordon terá uma nova percepção da realidade e vai começar a refletir sobre suas relações sociais. Além disso, muitas de suas memórias há muito tempo esquecidas voltarão e trarão dor, tristeza e a sensação de rejeição. Através de Gordon, iremos perceber os efeitos causados pela inteligencia e como as pessoas lidam com deficientes mentais.


Com uma premissa bastante simples, Daniel Kayes criou uma história bem densa, delicada e dolorosa. Se o primeiro contato com a escrita do autor pode nos causar estranhamento, ao longo da leitura percebemos o motivo dessa sensação. Flores para Algernon é um livro escrito pelos relatos de progresso do Gordon. No primeiro momento, nos incomoda o fato de ter tantos erros, falta de pontuação, erros gráficos. Mas, a medida que vamos avançando, percebemos a evolução do personagem, que começa com a escrita e depois com a personalidade, maneira de pensar e entender o mundo que o cerca. Escrito em primeira pessoa, o autor não dá nada ao leitor, muito pelo contrário... ele quer que nós percebamos a evolução do personagem, e isso seria muito difícil caso o livro fosse escrito em terceira pessoa. 

CLASSIFICAÇÃO:
⭐⭐⭐⭐⭐
Um ponto bastante positivo é o personagem principal, o Charlie Gordon. Ele é um personagem tão bom, mesmo depois de se tornar um gênio. O ruim são as pessoas em sua volta, principalmente depois dos resultados do experimento. Porém, o autor deixou bem claro que avanço intelectual não quer dizer desenvolvimento emocional e social. E isso foi uma fator importante na nossa construção do personagem, visto que esperávamos um personagem perfeito, mas inteligencia é só um pequeno fator no meio de tantos outros. E Kayes ainda conseguiu nos mostrar personagens tão sujos, que se aproveitavam da falta de intelectualidade e ingenuidade do Gordon, pessoas que se diziam amigos, mas na verdade só usavam-no como motivo de piada. Apesar de distante, a família do Gordon tem um momento muito bem escrito dentro da trama e pode acreditar que você ficará com os olhos marejados. Todo o livro tem uma traço muito marcado de realidade que é impossível não perceber ao final da leitura.

Flores para Algernon tem uma escrita muito peculiar, na verdade. O Daniel Kayes usou o Gordon para mostrar seu talento como escritor. Esse livro não vai falar de invenções loucas ou viagens no tempo, nem nada desse tipo. Trata-se de uma ficção científica mais psicológica. Além, é claro, de ter boas críticas, como, por exemplo, o tratamento dado aos deficientes mentais ou a ética nas pesquisas em humanos, afinal eles mexeram em algo tão íntimo e tão desconhecido: o cérebro. Sem dúvidas, um dos melhores livros do ano.

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