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Resenha| Clube dos oito

Por Porre de Livros •
11 de setembro de 2018

Publicado em 1999, Daniel Handler, autor de Desventuras em série, nos apresenta o diário da Flannery Culp. Se enganam os que acham que é um simples diário. Em Clube dos oito, a Flannery narrará o último ano do seu ensino médio e como se envolveu em um assassinato. Não só ela, é claro. Líder do Clube dos oito, como se intitulou o grupo de amigos a qual Flan fazia parte, neste diário vamos saber em detalhes como tudo aconteceu. Tudo começa com um amor não correspondido e acaba num escândalo que chocou o país inteiro.

Se você é fã do Daniel Handler, não espere nada comparado aos outros livros do autor. Esse livro não vai ser a melhor leitura dele. Isso porque Handler escreveu uma história um pouco improvável e confusa. E toda a premissa se perde em vários momentos por Flannery ser uma protagonista não muito interessante e nem um pouco confiável. Além do mais, o autor ou a protagonista faz com que criemos tanta expectativa sobre o assassinato, mas só começa a desenrolar esse plot no meio do livro. Então, é importante se dedicar nos primeiros 48% da leitura.

Classificação: ⭐⭐
Narrado em primeira pessoa, é impossível não observar as coisas da mesma forma que a Flan. Por isso é uma narradora que não podemos confiar. Afinal, como podemos ter certeza sobre aquilo que está sendo dito? Além do mais, em várias partes do livro, a personagem mostrava-se confusa, por escrever quando estava fazendo uso de álcool. E o Handler conseguiu mostrar isso perfeitamente, mas não quer dizer que tenham sido passagens interessantes. Outra coisa que pode incomodar é o fato de ela sempre salientar algo, como se o leitor não fosse entender o que estava acontecendo. Se a Flan era chata, a Natasha, amiga da protagonista, era uma das melhores personagens, mas há um "pequeno problema" com ela... que você deve descobrir ao terminar a leitura. Voltando, a Natasha é uma personagem que fazia a Flan ver as coisas de outra maneira, como, por exemplo, mostrando-a que o mundo não girava em torno de garotos (indireta para as passagens cansativas da Flan falando do Adam, o seu crush). Além, é claro, de a personagem falar tudo o que eu gostaria de falar diante dos dramas da Flan. Ainda sobre os personagens, usar a diversidade foi um acerto neste livro. O que já é algo "moderno" para a época em que a obra foi publicada. Apesar de ter personagens secundários, eles não são muito vistos, já que a mais próxima da Flan é a Natasha. Os outros foram esquecidos nos jantares...

É bom lembrar que esse livro contém alguns gatilhos, por exemplo, agressão sexual. Esse, inclusive, foi um dos assuntos mais pesados no decorrer da leitura. E me incomodou o fato de parecer um assunto solto e tratado sem muita responsabilidade. Outra coisa que ficou perdida foi: cadê os pais desses jovens, mais especificamente os da Flannery? A garota vive fazendo uso de bebidas alcoólicas, jantarem (chatos) com os amigos, problemas escolares, e ninguém se importa? Talvez, a Flan só quisesse apagar a existência de alguns adultos, mas eu estava esperando que em algum momento eles fossem aparecer.

Clube dos oito não é um livro ruim. Para a época em que foi publicado, foi um livro bastante atual. Para a nossa época, não tão atual assim. Então, é importante levar isso em consideração. Esse também não é o melhor livro do Handler. Apesar de tudo isso, é uma leitura rápida, mesmo tendo cerca de 400 páginas, com algumas partes divertidas; outras, nem tanto. Eu só digo uma coisa: há livros melhores do Handler. Não desistam dele.

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