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RESENHA| Todas as garotas desaparecidas

Por Diana Brito •
14 de março de 2018

Nicolette Farrell vive na Filadélfia onde tem um bom emprego e é noiva do bem sucedido advogado Everett. Há dez anos, ela deixou a sua cidade natal, Cooley Ridge, depois de uma série de acontecimentos e do desaparecimento da sua melhor amiga, a Corinne Prescott. Houve uma investigação em que Nicolette e seus amigos estiveram envolvidos, mas, após algum tempo, o caso foi arquivado por falta de provas. Aos dezoito anos, Nicolette deixou sua cidade e tudo que a ligava a ela: seu namorado Tyler, seus amigos, seu irmão Daniel, com quem tem uma relação estremecida, e seu pai, o Patrick Farrel, que atualmente vive numa clínica de reabilitação devido ao estágio avançado de uma doença degenerativa. Mas algumas coisas não são facilmente deixadas para trás, porque fazem parte de nós. E Cooley Ridge era uma delas.

Nicolette recebe uma ligação de Daniel, seu irmão, pedindo ajuda na venda da casa, para arcar com o alto custo do tratamento do pai, que se recusa a assinar os papéis. Mas isso não seria motivo suficiente para fazer com que ela retornasse. Patrick escrevera um bilhete para a filha: "Eu vi aquela garota". Estaria ele falando sobre Corinne?

Alguns dias após sua chegada, outra garota desaparecida: Annaleise Carter. Annaleiser, que foi o álibi do grupo de suspeitos na noite do desaparecimento de Corinne. Annaleiser, que agora estava namorando Tyler. Seria uma simples coincidência? Nicolette precisará abrir velhas feridas para reunir as peças de um quebra cabeças e descobrir os segredos de uma cidade que guarda um passado sombrio.

"Éramos uma cidade cheia de medo, em busca de respostas. Mas também éramos uma cidade cheia de mentirosos." 

Todas as garotas desaparecidas é o romance de estreia de Megan Miranda. Narrada em primeira pessoa e contado de trás para frente e chama a atenção por não revelar o final nas primeiras páginas. Você deve estar se perguntando como ela conseguiu fazer isso, afinal a história começa pelo fim. Só digo uma coisa: a autora conseguiu deixar o melhor para o fim. Aí é que entra o brilhantismo da autora revelação do gênero suspense, Miranda consegue prender a atenção do leitor e, aos poucos, vai soltando detalhes importantes para a construção da trama. Confesso que ler de trás para frente me deixou confusa em alguns momentos, mas depois tudo fez sentido.

A verdade é que a autora me fisgou desde o cenário. Histórias que se passam em cidadezinhas, onde os moradores se conhecem e sabem mais do que falam uns sobre os outros, sempre ganham o meu coração por terem o estilo Stephen King. Isso NÃO é uma comparação, ok? Estou me referindo apenas à ambientação. Não é só isso, os personagens são muito marcantes e nos dão a sensação de conhecê-los de longas datas. A autora conseguiu, de maneira muito singular, mostrar as emoções e os sentimentos de cada personagem e as suas personalidades foram muito bem delineadas. Eu fiquei de coração apertado com a relação entre a Nicolette e o Tyler, curiosa com o motivo da não tão boa assim relação entre a Nic e o Daniel e, a cada página, desconstruía o que pensava sobre a Corinne.

Li algumas críticas negativas e estou até agora sem entender o motivo. Fiquei fascinada com a escrita da autora e perdidamente apaixonada pelo Tyler, consegui visualizar os personagens, e, na minha cabeça, era um filme que eu tinha medo do final e ao mesmo tempo não queria que acabasse. Fiquei triste quando acabou, mas achei o final surpreendente e, ao contrário de muitos finais de livros de suspense, me agradou bastante.

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