CRÍTICA| A Forma da Água

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Estados Unidos. Década de 60. Guerra Fria acontecendo. Seria esse o cenário perfeito para um filme perfeito? Se você disse sim, está a meio caminho da resposta certa. A forma da água tem surpreendentes 13 indicações ao Oscar e um dos meus diretores favoritos encabeçando o projeto, o Guillermo Del Toro. Quem ama O labirinto do fauno (se você nunca viu, por favor, por favor, corra para assistir!) e não se apaixonou pelo Del Toro boa gente não é. Ou, pelo menos, não é um apreciador de uma história incrível, uma fotografia maravilhosa e um enredo destruidor. Dito tudo isto, percebe-se que a fangirl do Del Toro estava com as expectativas altíssimas para A Forma da Água, não é mesmo? Mesmo assim, segurei meu coração e baixei minha animação para não me desapontar, e foi tudo que eu precisava para apreciar este H-I-N-O de filme. 

O longa conta a história de Elisa, uma mulher que tem em torno de 30 anos e é muda. Ela leva uma vida extremamente regrada, e quando falo isso é porque a moça tem hora até pra se masturbar (tirem as crianças da sala!). Ela trabalha em um laboratório de pesquisa ultrassecreto do Governo Norte Americano e é lá que um dia toda sua vida muda, graças a uma criatura fantástica que é mantida presa no local. Mas, quanto mais Elisa entende a criatura, mais ela quer libertá-la, ajudá-la. Porém, tudo foge do controle quando seus sentimentos de ajuda se tornam amorosos. Então, com seus amigos Giles e Zelda, Elisa corre contra o tempo em um resgate arriscado para salvar a única pessoa que ela já amou.

Bem, estranho é só o começo do que posso falar sobre este filme. Del Toro realmente deu seu nome como o rei da fantasia, pois a estranha criatura que conhecemos é no mínimo peculiar. Elisa é um personagem com extrema profundidade. Em diversos momentos do longa, percebemos o quanto Sally Hawkins (Elisa) merece sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz. A capacidade de falar com os olhos, expressões e gestos, visto que Elisa é muda, é digna de ser aplaudida de pé. 👏

O filme tem incríveis duas duras de duração, e, tirando apenas os primeiros 10 minutos do longa, só consigo pensar uma coisa: QUE TIRO! O começo do filme é um tanto quanto monótono, um reflexo da vida que Elisa leva. Então, demoramos um pouco para entrar na narrativa. A fotografia, as tomadas, os ângulos, as referências constantes à água, mesmo quando esta não pode ser vista em lugar algum, conseguem tornar este filme memorável e muito digno de entrar para um dos melhores do Del Toro.

O romance fica um tanto quanto apagado e abre espaço - desnecessário, na minha opinião - para contar histórias de inúmeros personagens secundários. E, quando falo inúmeros, não estou mentindo, Giles e Zelda são apenas a ponta do iceberg de personagens secundários que fazem parte da trama. Todos eles têm uma história brilhante e, mesmo que apresentados rapidamente, percebe-se que a personalidade de TODOS é profunda e que, se o filme tivesse cinco horas de duração, não perderia em nada a qualidade. Mas claro que tudo isso teve um reflexo negativo na trama, visto que o romance se torna uma sombra.

Cheio de cenas delicadas, com um amor proibido, uma festa aos excluídos, aos estranhos, não aceitáveis, A forma da água não é perfeito, mas creio que até em suas imperfeições há qualidades, não é à toa que ele tem arrasado nos festivais. A cena do banheiro... só aquela cena já merece o Oscar, que cena f*d@. Sou fangirl do Gillermo Del Toro, sim, mas posso afirmar com toda a certeza que apenas sou fã dele porque o seu trabalho faz jus a sua reputação.

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

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