CRÍTICA| Carbono Alterado

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No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar (lê-se: morrer). A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-emissário da ONU, que nunca havia colocado os pés na Terra, já morreu antes. Agora em Bay City, antiga São Francisco, Kovacs é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata – função imposta pela própria vítima. Mal sabe ele, porém, que esse jogo de gato e rato irá lança-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

A série da produzida pela Netflix baseada na obra de Richard Morgan não deixa de ser apenas isso... somente baseada. Já no primeiro capítulo, sentimos que tem algo de estranho na história, eventos que não acontecem no livro, personagens que não aparecem e outros que deixam de aparecer... Foi difícil passar do primeiro episódio, mas demos uma chance para ver como iria terminar. 

O cerne do enredo manteve-se fiel à obra, Takeshi Kovacs (Joel Kinniman) é contratado pelo Matusa Laurens Bancroft (James Purefoy) para descobrir quem o matou. Até aí... tudo bem. Mas com o desenrolar da trama as alterações feitas em relação ao livro poderiam ser consideradas ousadas – se tivessem dado certo, é claro. Elas são muitas e tentam dar um pouco mais de profundidade aos personagens e dramaticidade ao enredo, mas, infelizmente, têm efeito contrário. A série mostra romances demais com personagens que nem se envolvem no livro. Exemplo disso é o romance principal entre Kovacs e Quell Falconer, líder dos Emissários, cujo personagens não tiveram muita interação na obra, mas que na série torna-se necessário para o desenrolar da trama. Não citamos outras situações para não dar spoiler

Senti falta de alguns personagens que aparecem bastante no livro e, de certa forma, são essenciais para a história, mas que não tem nenhuma menção na série. Outros até aparecem, mas que não têm o devido destaque como tem na trama de Morgan, como é o caso de Jimmy De Soto. No livro, De Soto aparecia nos momentos em que Kovacs estava alucinando, papel que ficou a cargo de Quell na série. 

A série, assim como a obra, é rica em detalhes e no visual. Os cenários elaborados, vestuário sofisticado, efeitos especiais de Altered Carbon não deixam a desejar, a criadora, Laeta Kalogridis, conseguiu capturar a essência do mundo desenvolvido por Morgan. O ator que fez o papel de Takeshi Kovacs teve uma atuação até agradável. Joel Kinniman soube encarnar o tipo badass que Morgan apresenta no livro, por mais que tivesse recebido várias críticas de fãs da trilogia. Apesar dessas falhas, a série conseguiu transmitir a mensagem que Morgan quis passar com o livro. Até onde os seres humanos dependem da tecnologia? A busca desenfreada pela imortalidade e juventude eterna. Em como a desigualdade ainda se torna presente, apesar de todo avanço tecnológico, onde os ricaços podem ter a capa que quiser e os pobres têm que se contentar com a que está disponível de acordo com o que você pode gastar. O governo corrupto, a série mostra como o capitão Tanaka é subornado para favorecer o Bancroft. E muitos outros. 

E, para finalizar, deixo um conselho: leia o livro, se puder, antes de assistir a série. Se por um acaso assistir antes, não espere ter a mesma reação quando ler a obra.

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