RESENHA| Carbono alterado

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No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar (lê-se: morrer). A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa.

Takeshi Kovacs, um ex-emissário da ONU, que nunca havia colocado os pés na Terra, já morreu antes. Sua última morte aconteceu após um serviço malsucedido, e se revelou particularmente dolorosa. Agora em Bay City, antiga São Francisco, Kovacs é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata – função imposta pela própria vítima. Mal sabe ele, porém, que esse jogo de gato e rato irá lança-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.


“Essa era sempre a parte mais difícil. Venho fazendo isso há quase duas décadas, mas ainda me abalo ao olhar para o espelho e ver um completo estranho me encarando.”

Carbono Alterado, de Richard Morgan, nos apresenta um mundo futurístico, onde a morte não é mais um empecilho para algumas pessoas, através do olhar de Takeshi Kovacs. O universo criado é rico e detalhado, de vez em quando você se perde com tanta descrição e muitos termos técnicos, mas com o desenrolar da história as explicações vão surgindo. Apesar da narrativa detalhada ser fundamental para a obra, com longos parágrafos para descrever um tipo de tecnologia, um cenário ou o pensamento moderno da época, isso não impede que o desenrolar da trama fique lento e a leitura se torne um pouco maçante.

Os personagens do livro são bem interessantes e bem construídos, principalmente o Kovacs. Evidentemnete do tipo badass, em sua maior parte frio e calculista, Takeshi conduz a narrativa através de um labirinto de conspirações e disputa política. Kristin Ortega, Laurent Bancroft, Miriam Bancroft não são meros personagens secundários, o autor também nos deixa intrigados com eles e curiosos saber mais sobre cada um. O ponto negativo são as cenas de sexo e do uso de drogas, tudo bem que é uma característica dos livros cyberpunks, mas elas não acrescentaram em nada na narrativa. São detalhistas demais, mais do que o necessário. As cenas de luta, perseguição são o que salvam o livro, a adrenalina fica a mil.

Apesar disso tudo, Carbono Alterado nos faz refletir em como nós, seres humanos, estamos dependentes da tecnologia. Vemos que, apesar da história do livro estar séculos a frente e tecnologicamente mais avançada, alguns problemas da sociedade permanecem: os conflitos sociais, o governo corrupto, o modo de vida das pessoas... A obra é eficaz em passar a sua mensagem. É uma boa pedida para aqueles que curtem ficção científica com um toque policial futurístico. E só lembrando: a Netflix fez uma adaptação para esse livro. Então, logo poderemos acompanhá-la nas telas. 

| Bertrand Brasil | Classificação: 3/5 | Ofertas |
Foto: Meu doce livro

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