CRÍTICA| Maze Runner: A cura moral

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Maze Runner: A cura mortal marca o fim das adaptações de livros distópicos. E digo que não sei se isso é bom ou ruim, afinal gosto muito de filmes com futuros distópicos. Essa tendência começou com Jogos Vorazes, mas, infelizmente, ao meu ver, nenhuma chegou ao sucesso da franquia protagonizada por Jennifer Lawrence. Atualmente, a franquia Divergente está perdida procurando uma forma de ser finalizada. Enquando Maze Runner, apesar da espera, garantiu um fim nos cinemas, mesmo que isso tenha acontecido de modo insatisfatório.

Após serem traídos por Teresa (Kaya Scodelario) ao final do filme anterior, Mazze Runner: Prova de Fogo, Thomas (Dylan O'Brien), Newt (Thomas Brodie-Sangster) e seus amigos tentam encontrar uma forma de enfrentar o C.R.U.E.L. e, principalmente, resgatar Minho (Ki Hong Lee). Para realizar a ação, eles são obrigados a invadir a cidade que serve de base de operações da empresa e acabam buscando a ajuda de uma pessoa do passado deles. Ao mesmo tempo, Teresa e Ava (Patricia Clarkson) trabalham para acharem uma cura para a epidemia que atinge todo mundo.

Pelo resumo do filme, podemos esperar 2 coisas: 1) de fato, Thomas e companhia estarão em buscar de Minho, e farão o possível para resgatá-lo. E isso garante boas cenas de ação, eu até arriscaria dizer: ação demais. 2) Já o plot de Teresa e Ava em busca da cura é, digamos, insatisfatório e mal concluído. Afinal, a franquia deixa claro ao longo do filme que abriu mão da ficção-científica para se tornar um "filme de ação", deixando de lado discussões importantes e desfechos bem construídos. Há quem goste e concorde com isso, mas a grande sacada da sci-fi é abordar temas atuais e relevantes tendo como pano de fundo cenários fora do comum. E, arrisco dizer, Mazze Runner abandonou as discussões levantadas nos filmes anteriores - discussões essas que foram levantadas usando a sci-fi - e enfiou o pé na jaca com ação, nos apresentado um filme com jovens que buscam tensão e ação o tempo todo.

E uma dúvida é: qual é a necessidade de manter personagens mal resolvidos até o fim do filme? Certo ou errado é uma questão subjetiva de cada ser humano, mas fazer uso desse recurso para nos manter vidrados e esperando uma resposta coerente e final é, digamos, falta de criatividade, assim como as formas que foram usadas para os protagonistas conseguirem se safar dos desafios enfrentados (seja uma "piscina" ao pular de um prédio vários de metros de altura ou um cabo de ferro que aparece sempre que eles estão encurralados).

Se a adaptação errou no roteiro, eles acertaram nas interpretações. Kaya Scodelario, a Teresa, dá um show ao interpretar a mal resolvida personagem, mas toma as decisões certas nos momentos certos. A Rosa Salazar, a Brenda, é uma das personagens que podemos de gostar de graça. Afinal, ela é forte, decidida, corajosa, confiante, fiel e tem muito mais adjetivos, mas se falar todos... cansarei vocês. E o Dylan O'Brien entrega um personagem maduro e forte. E nos mostra o crescimento dele como ator e personagem desde o primeiro filme da franquia.

Com um roteiro fácil, Maze Runner: A cura mortal entrega aos fieis fãs da franquia um fim rápido e, por ser rápido e cheio de ação, insatisfatório. Afinal, há discussões que nem sequer são explicadas, por exemplo, por que Thomas é tão importante e o que Teresa encontrou no sangue dele? Arrisco a dizer que a franquia não é tão boa quanto Jogos Vorazes, mas não decepciona tanto como Divergente. Porém, aos fãs, um aviso: apesar do final previsível, esperamos muito pelo fim. Então, nada mais justo que assisti-lo. 

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

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