Resenha| A Zona Morta

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Johnny Smith é um adorável professor que leva uma vida pacata e está iniciando um relacionamento com Sarah. Um dia, após um golpe de sorte (ou azar) na roda da fortuna, num parque de diversões, ele sofre um acidente que o deixará em coma pelos próximos quatro anos e meio. Ao acordar, tudo estava diferente. A Sarah, sua namorada, seguiu a vida depois de algum tempo, sua mãe virou uma fanática religiosa, seu pai, um homem amargo e o mundo estava repleto de novas tecnologias. O fato de John acordar sem nenhuma sequela física por si só já seria um milagre. Além disso, ele não lembrar o nome de determinados objetos por causa de uma área danificada do cérebro batizada de Zona Morta; ele descobre ainda, no hospital, que tem um novo dom: consegue descobrir coisas sobre as pessoas e prever o futuro com um simples toque.

Após uma visão no hospital, sua fama foi crescendo e não demorou muito para John se tornar uma celebridade. Ele tentava ajudar as pessoas com o seu dom, mas percebeu que muitas o testavam com incredulidade e outras queriam apenas explorá-lo. Decidido a se afastar disso tudo e voltar a ter uma vida tranquila, ele se muda e começa a dar aulas particulares a um garoto de família rica com dificuldade de aprendizagem. Mas, quando se carrega um fardo como esse, não tem como se esconder por muito tempo, não é mesmo?

Quando ele conhece o ambicioso Greg Stillson, um candidato a deputado que não mede esforços para conseguir o que quer, John tem uma visão que mudará o futuro do mundo inteiro, caso Stillson assuma o poder. Ele terá que tomar uma difícil decisão, pois tudo estará contra ele: o tempo, a credibilidade das pessoas e o carisma e aceitação do candidato que, aparentemente, será a perdição da humanidade. Será que ele fará a escolha certa? Esse novo dom é uma bênção ou maldição?

"(...) é melhor que certas coisas não sejam vistas e é melhor que outras não sejam encontradas."
Originalmente publicado em 1979,  adaptado para as telinhas em 1983 e estrelado por ninguém menos que Christopher Walken (Prenda-me se for capaz), Zona morta  estreou no Brasil em 1987 com o título de Na hora da zona morta e agora o livro ganhou essa nova edição da Editora Suma. E sabem o quê mais? O livro também ganhou uma série, que conta com seis temporadas e 80 episódios e, pasmem, era exibida no SBT, sob o título de O Vidente, em 2010. Me pergunto onde eu estava que nunca vi essa série "dando sopa" pela TV aberta!

Não é à toa que esse livro entrou para o rol dos melhores livros do King. A história não aborda somente os poderes sobrenaturais do John, somos envolvidos com as suas memórias, os seus dramas pessoais e a visão das pessoas sobre o que é diferente do que estamos acostumados. O livro prende o leitor de uma forma impressionante, pois nos aproxima de John e de suas angústias, realmente faz com que a gente se coloque no lugar dele e pense: "o que eu faria se a vida seguisse enquanto eu dormia por quase cinco anos?". Ou pior: "e se eu acordasse mega estranho?". Vocês se sentiriam traídos pelas pessoas próximas ou deslocado num mundo que não é mais seu? Pois é, ele também se sente assim. E é isso que King mostra brilhantemente ao leitor.

Embora possa parecer o contrário, o encontro e desenrolar da treta entre John e Greg não é algo que a acompanhamos durante toda a leitura. O leitor é apresentado ao personagem, acompanha a sua trajetória como profeta, que começa desde o hospital, e a partir do seu contato com o político é que o autor vai fechando a trama, ligando os pontos e nos preparando para o ponto alto do livro. Apesar de trazer fatos que remontam à época, não é necessário ter grandes conhecimentos (até porque a maioria de nós nem sonhava em nascer) para embarcar numa viagem política, científica e sobrenatural cheia de reviravoltas.

Com a leitura fluida, embora as 480 páginas assustem um pouco, King nos apresenta personagens bem construídos e com quem facilmente criamos vínculos, seja de simpatia, ódio ou repulsa. Com o virar das folhas, você vai sentindo como se conhecesse cada uma daquelas pessoas, suas motivações, pensamentos e emoções e tudo isso, é claro, acompanhado de um final surpreendente que já é marca  registrada do autor. É um suspense sobrenatural, sim, mas vamos parando com a mania de achar que tudo que o King escreve dá medo. Que tal dar uma chance a esse livro sensacional?

Editora Suma | Classificação: 5/5 | Ofertas
Foto: Coisas de mineira

Pisciana, 2.6, humor de 60, dramática, apaixonada por livros e animais.

Instagram: @deebritoo

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