Resenha| Minha versão de você

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| Editora Hoo | Classificação: 5/5 | Ofertas |
Em minha versão de você, da Christina Lauren, iremos conhecer Tanner Scott e os dilemas de voltar a viver dentro do armário, pois ele teve de sair da Califórnia para morar numa cidade (lê-se: hiper-mega) religiosa. Agora, ele está no último semestre escolar, falta pouco para ele ir embora daquela cidade, realizar o sonho de ir à universidade e, consequentemente, poder ser quem ele é, sem rótulos, sem olhos tortos, sem ter medo de escolher alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto para estar ao seu lado, afinal, Tanner é um garoto bissexual.

Autumn, sua melhor amiga do colégio, o desafia a participar do Seminário, uma aula que promete fazer com que todo aluno escreva um livro. E eles terão cerca de 4 meses para isso. No período anterior, o Sebastian Brother foi um dos alunos do Seminário, e ele ainda conseguiu publicar seu livro. Agora, todos que participam do curso querem, no mínimo, ter o mesmo sucesso que Sebastian. É claro que 4 meses é tempo suficiente para escrever uma boa história, ao menos é o que Tanner pensa. Porém, escrever um livro com a ajuda de Sebastian pode não ser tão fácil assim... principalmente quando Tanner acaba se apaixonando. O único problema é que Sebastian é: (1) filho do bispo, (2) mórmon e (3), aparentemente, hétero.

Para quem está com dúvidas, sim, a Cristina Lauren é a autora (duas autoras na verdade) da série hot Cretino Irresistível. E, não, Minha versão de você não é erótico. Esse livro tem um "quê" de especial. Ele é sutil, é doce, é delicado. Porém, não deixa de ser um tapa na cara quando associa religião e amor, e o questionamento que fica ao fim da leitura é: se a religião (seja ela qual for) prega o amor, por que os seguidores rejeitam o fato de você ser diferente e ter sua própria forma de amar, amar quem você quiser? No fim, a moral é que a religião pode te fazer ter uma vida leve na presença de algo maior que nós, porém ela oprime nos fazendo deixar de ser quem somos.

No livro, tudo é muito sutil, muito delicado. Afinal, Sebastian é mórmon, filho do bispo da cidade e tem medo de quebrar as expectativas que a família Brother o impõe. Já Tanner, sabe o que quer, sabe do que gosta e tem uma família que o aceita do jeito que ele é, mas viver sendo olhado com olhos tortos ou sendo apontado não é algo bom, por isso ele resolve esconder sua sexualidade. O bom do livro é justamente isso: o leitor pode ver os dois lado da mesma moeda, o lado em que você é aceito e  amado e o lado em que você precisa se esconder e não se conhecer a ponto de "evitar pecar". Na verdade, podemos até ver esses opostos nas famílias dos personagens, por exemplo, a família Scott (do Tanner) é a família que idealizamos, enquanto a Brother (do Sebastian) é a família que não aceita, que oprime, que aponta e que, no fim, prefere ver o filho triste a vê-lo com alguém do mesmo gênero, e, infelizmente, isso acontece muito e é bastante real.

Eu gosto muito de autor@s que se reinventam. E não poderíamos deixar de falar das autora(s) deste livro. Primeiro, a coragem de falar sobre um tabu, e sabemos que associar numa história religião e amor não é a coisa mais fácil do mundo. Também sabemos que sair de gênero literário para escrever uma história totalmente diferente do que o autor normalmente escreve também não é a coisa mais fácil do mundo. Então, parabéns Cristina Lauren por sair, por um pequeno momento, dos livros hots e dar um pouco de visibilidade à comunidade LGBTQ e trazer uma história real, delicada e, principalmente, por consegui desmistificar um pouco sobre bissexualidade, que é algo visto como indecisão, infelizmente. Sou Team #Tanbastian e vou defendê-los! Espero que gostem da leitura tanto quanto eu!

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

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