Resenha| Sempre haverá você

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Theo e George são irmãos com oito e dez anos, respectivamente. George está na quinta série e adora descobrir novas palavras, capitais dos países e fazer versos com o Theo, que sempre está aprontando alguma. Eles fazem parte de uma família feliz, com seus pais, Vick e Jack, os avós, a tia, as primas e, claro, o seu cãozinho desobediente Goffo.

Na maior parte do tempo, a sua mãe - Vick - participa das brincadeiras, mas, de uns dias pra cá, ela vem sentindo fortes dores de cabeça. Quando George descobre que a amiga que a sua mãe sai regularmente para visitar é uma oncologista, ele sente que alguma coisa ruim está acontecendo, e acha que é responsabilidade sua e de Theo fazer com que a mamãe volte a ficar feliz e sorrir novamente.

"Meus olhos estão fechados.Estou assustado demais para abri-los. Porque pensamentos ruins se mudaram para a minha cabeça. E parece que eles vão tomar conta de mim. Eles me fazem sentir que eu estou totalmente só. Mesmo sabendo que não estou."

Sempre haverá você não é mais uma história clichê sobre animais de estimação ou câncer. O livro nos conta tudo de uma forma sutil e ao mesmo tempo emocionante: através dos olhos de uma criança, o George. Sua inocência ganha corpo ao lidar com o inesperado e com vários sentimentos, até então, desconhecidos. Comecei o livro com poucas expectativas. Pensei: Oh meu Deus, será que o cachorrinho morre? Graças a Deus Heather, Goffo passa bem (oremos!), mas confesso que me enganei completamente! Inicialmente o livro parece um pouco bobo, e até certo ponto é, porque é contado por um menino de 10 anos. Aos poucos você começa a refletir e se identificar. Talvez, com dez anos, a maioria das crianças não conseguisse ter a maturidade e a força do George para lidar com esse tipo de situação.

Se você está esperando um drama que vai te fazer chorar por três dias consecutivos ou que vai te trazer uma profunda reflexão filosófica, desista agora mesmo. Mas, se você quer uma leitura que vai mudar a sua forma de ver e encarar as coisas daqui pra frente, sinal verde para começar a ler agora! Sempre haverá você mostra o dia a dia de uma família normal, como outra qualquer. Poderia ser a minha, a sua, ou qualquer outra.

A diagramação do livro é muito simples, e a capa, relacionada com a história, mostra o Theo, o George e o Goffo de costas. Os capítulos são curtos, todos com fatos enumerados em forma de tópicos que trazem uma ideia do que será abordado na sequência. As palavras com a fonte menor dizem respeito às palavras que, supostamente, o George não gosta e às que estão em negrito, são as que ele gosta. Durante toda a narrativa, ele emprega esse método e achei interessante compartilhar com vocês. (Toda a resenha está grafada dessa forma, inclusive).

Os personagens são reais e transmitem humanidade ao leitor, e é isso que emociona. De uma forma ou de outra, toda família se parece um pouco, e com a família do Theo e do George não é diferente, mas sempre estamos tão preocupados em solucionar problemas e acabamos não nos perguntando como as crianças veem esses mesmos problemas. Como elas reagem a eles? De que maneira eles vão afetá-las? O que podemos fazer para participar e ajudá-las a enfrentar problemas para os quais não foram preparadas? E, não, você não vai encontrar as respostas para essas perguntas no livro, porque as respostas para esses questionamentos vivem em algum lugar dentro de nós, só precisamos procurá-las no lugar certo.

Pisciana, 2.6, humor de 60, dramática, apaixonada por livros e animais.

Instagram: @deebritoo

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21 de agosto de 2017 12:24 delete

Meu apaixonei por essa resenha, me apaixonei por esse livro! Sou apaixonado por esse blog. Gosto mais que demais! Um abração, Dieison, do Rio Grande do Sul.

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