Resenha| Não conte nosso segredo

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| Editora Hoo | Classificação: 5/5 | Ofertas |
Em Não conte nosso segredo, conheceremos Holland Jeager, uma adolescente que tem o namorado dos sonhos, uma família estável e a chance de ir para uma boa universidade. Isso tudo muda com a chegada de Ceci Goddard. Diferente de Holland, Ceci é uma adolescente que precisa ralar para conseguir o que quer, ela é forte, decidida e gay, ou seja, ainda tem que lidar com os outros apontando-a, discriminando-a e praticando o famoso bullying escolar. 

No início, Holland se sente, digamos, atraída por Ceci, mas não entende muito bem o que está acontecendo. É aí que ela começa a se perguntar sobre a vida, sobre a sua vida. Em meio a um turbilhão de questionamentos, elas terão que compreender os sentimentos que uma sente pela outra. Porém,o grande problema é a maneira como todos vão lidar com essa descoberta de Holland e com o amor das duas garotas. 

Eu posso começar dizendo que esse livro foi como um "tapa na cara". Primeiro, gostaria de dizer que, apesar de ser um romance gay, não é voltado somente para o público gay. Segundo, nos incentiva a praticar a empatia, algo que está em falta na nossa sociedade. E, terceiro, é um livro que todo mundo deveria ler. Aqui, vamos entender que ninguém escolher ser gay, a pessoa nasce assim, pode não entender no inicio ou não saber, mas ser gay não te faz doente, nem possuído por entidades demoníacas. Além disso, o livro aborda questões mais universais, eu diria, como, por exemplo, respeitar o outro (e isso não diz respeito somente a orientação sexual), abraçar a causa das minorias (afinal, poderia ser você no lugar deles), ser livre e, acima de tudo, apoiar, pois o apoio é importante.

"[...] Existe ódio demais nas pessoas." 

Em meio a esses assuntos que estão presentes no livro, a autora ainda pôs um pitada de realidade. Foi isso que senti ao lê-lo. Detalhe: todos os acontecimentos do livro poderiam ser facilmente - infelizmente, essa é a realidade - acontecer na vida real. Por exemplo, Holland tem um relacionamento abusivo, o cara só a procura para sexo rápido e silencioso, como se isso significasse amor, mas nunca conversa, nunca se diverte com ela e prefere não entendê-la. Como se não bastasse, ela ainda tem amigos que não são tão amigos assim, uma mãe que organizou a vida dela sem nem saber se a filha sonhava com aquilo. Já Ceci é diferente, ela é madura, bate de frente, se questiona sobre diversas coisas e faz com que Holland também se questione sobre a vida, sobre os relacionamentos. Sem falar que Ceci tem uma personalidade incrível, ela é emponderada, irônica (queria todas as camisas com frases irônicas dela), decidida e batalhadora. 

Ao ler esse livro, esqueça a ideia de garotas frágeis e amor à primeira vista. O divertido do livro é observar como Holland entenderá o que sente por Ceci e lidará com a pressão das outras pessoas diante dessa descoberta. Afinal, no inicio, deve ser bem assustador descobrir isso sem querer, mas, o mais importante, foi viver assim, principalmente em meio aos problemas que essa descoberta acarretou. Posso dizer que Holland é muito corajosa, mais do que eu e você juntos. Sem dúvidas, é um livro que eu recomendo muito, principalmente por nos fazer entender e respeitar o outro e, acima de tudo, aceitar que ele é e pode diferente de nós. 

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