Review| Some sort of happy, de Melanie Harlow

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| Classificação: 5/5 |
Sebastian Pryce sempre foi calado, tímido e esquisito ou, pelo menos, é assim que Skylar Nixon se lembrava dele. Apesar de ter saído de sua cidadezinha e falhado ao tentar a sorte em New York, Skylar não sente falta daqueles dias, ela descobriu longe de casa que tudo que ela queria era estar em casa. Porém, após uma participação horrível em um programa de TV, todos de sua cidade a odeiam e parece que só Sebastian não a odeia. Na verdade, ele nem ao menos assistiu ao programa. Ele também fugiu de New York por suas falhas, mas suas falhas são segredos e quando ele reencontra a única garota que ele amou, seu único medo é perdê-la por causa dessas falhas. Quando os dois finalmente cedem e tudo parece estar dando certo, Sebastian precisa decidir se vai deixar seus medos e insegurança o atingirem ou se o homem forte e bonito que ele se tornou vai tomar conta e levar a princesa para casa.

Some sort of happy cumpriu muito bem o papel de me tirar de uma preguiça literária e de me fazer suspirar. Nunca tinha nem mesmo ouvido falar dessa autora e enquanto navegava pelo goodreads me deparei com ele. Logo de cara, achei que iria amar, a capa me lembrou muito a capa original de O Acordo. Então, achei que seria uma boa ideia embarcar nessa. Claro que dei uma sorte tremenda do livro ser bem escrito, fluído e engraçado. Melanie Harlow consegue, em meio a um mar de livros de romances, fazer o leitor não só amar os personagens Sebastian e Skylar, como também desejar ardentemente mais livros sobre o casal, coisa que eu acho bem difícil de acontecer comigo. Eu já sei que teremos livros com as irmãs de Skylar e estou aqui bem assim com essa notícia:



Brincadeiras à parte, a autora abordou um assunto muito importante no livro: o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Sebastian é um cara maravilhoso, tímido, inteligente e carinhoso, mas ele sofre por seus transtornos compulsivos que variam entre odiar dias ímpares, sempre contar os passos de 8 em 8, voltar em casa duas vezes para checar se fechou realmente a porta ou se desligou o fogão, entre outras coisas. Então, esse é Sebastian e não há "mudanças" milagrosas nele só pelo fato de conhecer a mocinha. Como o livro é narrado em primeira pessoa pelo Sebastian e pela Skylar, o leitor acompanha muito bem todas as inseguranças que ele tem com relação a sua doença e o quanto ele sofre com tudo isso, o quanto ele se esforça para melhorar e o quanto pessoas doentes se sabotam, e isso é normal, infelizmente.

Em contrapartida a gente tem Skylar, uma personagem super de bem com a vida e com sua "perfeição", tirando o fato de que ela está desempregada e totalmente sem rumo na vida, visto que até sua irmã mais nova tem uma casa e seu próprio negócio, e ela ainda mora com os pais. Achei esse um outro aspecto da escrita da autora maravilhoso: a expectativa de ter conquistado tudo aos 20 e poucos anos e, gente, vamos combinar que isso frustra a gente imensamente. E apesar de Skylar não ter nada, nem dinheiro, nem expectativas e sua autoestima estar dizimada, ela ainda quer amar Sebastian e todos os seus defeitos. Ela tem uma característica muito singular e faltante na maioria dos seres humanos: empatia.

E é aos trancos e barrancos que eles vão desenvolvendo o relacionamento deles, mesmo sabendo que nada vai ser fácil, nem simples como nos outros relacionamentos. Eles não desistem e isso deu uma realidade muito grande ao livro, senti como se eles realmente estivessem construindo tudo desde a base até o topo, um castelo firme e forte. Amei ver como eram as sessões de terapia de Sebastian e o fato de que ele tenha um transtorno não tira o direito dele de ser feliz, nem garante o direito a ninguém de julgá-lo.

Por esses e outros motivos, pela autora abordar um tema tão complexo, maravilhoso e complicado e, mesmo assim, consegue se sair tão bem, eu dei 5 estrelas ao livro. Depois de Os 13 Porquês, a gente precisa falar mais sobre empatia, doenças psicológicas e como estamos totalmente despreparados para lidar com pessoas que estão nessa situação.

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

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