Resenha| Morte Lenta, de Matthew FitzSimmons

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Faro Editorial | Classificação: 3/5 | Ofertas
Gibson Vaughn é um ex-fuzileiro naval, divorciado, com uma filha de 6 anos para criar e desempregado, graças a um ato de rebeldia cometido durante a adolescência. Seu pai trabalhava com Benjamin Lombard, assessor do senador, quando ele acessou, hackeou e divulgou informações confidenciais que desvendaram um poderoso esquema de corrupção. Seu pai foi acusado de ser o cabeça do esquema, Benjamin foi inocentado e Gibson foi preso. Agora, atual vice e candidato a presidência dos Estados Unidos, Lombard não tem interesse em ajudar ninguém que ofereça emprego a um "traidor".

Graças a ligação do seu pai com Lombard, Gibson cresceu como se fosse irmão da sua filha Suzanne, a quem carinhosamente chamava de Ursa. Pouco tempo após a prisão de Gibson, Suzanne desapareceu sem deixar vestígios. O crime nunca foi solucionado. Uma década depois do seu desaparecimento, a mídia ainda cobra explicações do FBI e ano após ano revive dolorosamente a filmagem da última vez em que ela foi vista no interior de uma loja de conveniência de um posto de gasolina. A filmagem sugere que Suzanne não foi sequestrada.

“A Esperança é um câncer. E o resultado? Das duas, uma: ou você nunca descobre a verdade e durante o processo é corroído por dentro até não restar mais nada. Ou ainda pior: você descobre e acaba atravessando o para-brisa a noventa por hora, porque a esperança lhe garantiu que você podia dirigir sem sinto de segurança.”

Agora, George Abe, ex-chefe de segurança de Benjamin Lombard e com quem Gibson tem uma rixa passada, o convida para trabalhar em sua empresa Abe Consulting, junto com a sua equipe:  Jenn Charles, uma mulher que trabalhou na CIA, Dan Hendricks, um ex-policial, e Mike Rilling, responsável pelo setor de T.I da empresa. Acima de qualquer ressentimento, ambos tem uma coisa em comum: o desejo de reencontrar Suzanne. Mas certas verdades deveriam morrer com o passado...

"Uma pessoa nunca pensa que ela própria seja ruim. Essa é uma eterna verdade da condição humana. Por mais repreensíveis que sejam seus atos, as pessoas sempre se convencem de que podem justificá-los."

Morte Lenta é o primeiro livro da série Gibson Vaughn. O livro é narrado em terceira pessoa e dividido em três partes: 1) Virgínia, 2) Somerset e 3) Geórgia. A narrativa funcionou bem, pois o autor acaba tirando um pouco o foco do Gibson, que exerce o papel principal na trama, e alterando a perspectiva entre os personagens. Gibson é o típico cara que poderia ter sido algo, mas não foi, que tinha um futuro brilhante se seguisse as regras, porém escolheu ser autêntico e acabou trilhando um caminho errado. Por conta disso, ele é um cara extremamente frustrado. Não é só sobre Ursa, é sobre o que ele poderia ter feito, mas não fez, é sobre o seu pai, é sobre um casamento que fracassou e isso tudo passa muita humanidade para o leitor. Os outros personagens também são bem "reais", pois cada um tem uma história diferente, com arrependimentos diferentes e contribuem de forma direta ou indireta para o desenrolar da história.

Por outro lado, não se trata apenas de uma história sobre uma jovem desaparecida. O autor traz à tona um cenário político complexo, uma rede de pedofilia, assassinos de aluguel e muita, mais muita tecnologia e informática. Foi aí que não funcionou para mim! O fato do Gibson ser um hacker fez com que muitos detalhes técnicos fossem abordados e isso acabou tornando a leitura lenta (que trocadilho infame ~veja o título, caso não tenha entendido). Da metade em diante, a narrativa volta a ganhar pique e como se trata de uma série, que por sinal já teve três volumes lançados (The Short Drop - Morte Lenta, Poisonfeather e Cold Harbor ainda sem tradução para o português), eu espero me surpreender  com mais ação e menos riqueza de detalhes no próximo volume.

Com relação a parte física do livro, eu achei a capa metalizada belíssima, deu um efeito bem diferente, as folhas são amareladas e um pouco mais grossas que o normal. Achei pequenas falhas na tradução, mas nada que comprometesse a leitura ou o sentido das frases. No mais, a história é sim envolvente, inteligente e traz um final bem inesperado (nenhuma das minhas suposições estavam certas). Fica a indicação para quem gosta de um bom suspense, conspirações políticas e MUITA tecnologia.

Pisciana, 2.6, humor de 60, dramática, apaixonada por livros e animais.

Instagram: @deebritoo

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