Resenha| Terezinha, de Josué Souza

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Hoo Editora | Classificação: 4/5 | Ofertas |
Composto por 17 contos, o livro Terezinha apresenta um pouco do universo LGBTQ+ e de outras pessoas que não se identificam com a forma habitual da dicotomia de gênero. Queer é uma palavra inglesa, sem um sinônimo claro em português, mas que indica pessoas que fogem do padrão preestabelecido, da norma regimental da sexualidade ou da identidade de gênero.

As vidas transviantes a essa norma, na obra, vão revelar ao leitor as diversas possibilidades de como o queer pode ser apresentado: desde o menino delicado escondido em sua “casinha de bonecos” ao que deseja jogar futebol, mas é constrangido a entregar seus chocolates para ser aceito pelos amigos (“o que não se pode comprar com chocolates?”), àquelas personagens que efetivamente são identificadas como pertencentes ao universo LGBTQ+.

Terezinha convida o leitor a enxergar as muitas vidas apresentadas na obra e seu constante debate – e contraste – entre realidade, ficção e desejo, mas falando, muitas vezes, de coisas rotineiras da vida, mas de um modo profundamente lírico e revelador em sua estrutura e pela organização dos textos.

Divido em 3 partes, por mais que sejam contos pequenos, trazem muita informação consigo. Cada conto aborda um aspecto desse universo, ou seja, temos um conto sobre gays, outro sobre travestis, outro sobre lésbias e assim por diante. Além de tratar da homossexualidade, possuindo um recorte bem definido em relação à sua temática, a obra traz-nos reflexões sobre questões universais, como identidade, aceitação e insegurança. Os contos tratam de pessoas, de suas formas de sentir e ver o mundo, mesmo que não sigam o “padrão” ou as normas impostas pela sociedade.

A escrita do autor é elegante, poética e enxuta, fazendo com que a leitura flua fácil. Os contos são breves, mas intensos e nos envolve facilmente que não percebemos o tempo passar. Os personagens também nos atrai, não é possível você não se identificar com pelo menos um deles. Os contos que mais me chamaram atenção foi Terezinha e O que não se pode comprar com chocolates. São simples, mas mexeram comigo. A leitura de Terezinha não deve ser feita somente pelo publico LGBTQ+, mas também por todos aqueles que queiram compreender a natureza humana. É uma obra que nos faz praticar a empatia e rever os pré-conceitos.

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