Resenha| Princesa de papel, de Erin Watt

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Editora Planeta de Livros | Classificação: 4/5 | Ofertas
Ella Harper rebola muito para viver, literalmente. Stripper desde os 15 anos de idade, Ella lutou para pagar as contas médicas de sua mãe enquanto ela sofria com um câncer de mama, e logo após a morte da sua mãe, tentou se sustentar para que o serviço social não a levasse para alguma casa de adoção. Porém, o que ela não esperava era a chegada de um homem misterioso afirmando ser seu tutor legal e obrigando-a a ir embora com ele para viver em seu palácio. Tudo que Callum fala para Ella soa perigoso e nada dentro da sua zona de conforto e a garota entende que seu sexto sentido estava certo, pois tudo que a família Royal é não a agrada em nada. Porém, a proposta de 10 mil por mês somente para Ella ficar na casa, fica cada vez mais fácil de ser aceita, principalmente quando o problemático Reed se torna cada vez mais irresistível.

Princesa de Papel é um livro que quanto mais eu lia, mais queria ler. A história é fluída, fácil e gostosa, cheia de tramas e conflitos. Ella cativa o leitor de uma forma que é impossível largar o livro até que ele termine, e foi isso que aconteceu comigo. Erin Watt, pseudônimo das autoras Elle Kennedy e Jen Frederick, mostra como construir bem uma trama, apesar de em alguns momentos eu ter achado que elas se perdem na própria história.

Contrário a algumas opiniões que andei lendo, não achei a personagem principal fraca e omissa. Muito pelo contrário, não acho que teria coragem de aos 15 anos de idade virar uma stripper, enfrentar homens asquerosos querendo colocar as mãos em mim, mesmo sendo uma forma rápida de ganhar dinheiro. Ella mostra uma maturidade no início do livro que eu diria que poucas garotas com a idade dela teriam. A personagem tem uma astúcia para se proteger que chega até a ser assustador. O que acontece com a garota é que quando ela se vê num lar confortável com comida sempre na mesa, uma boa escola e roupas novas, suas barreiras de proteção caem e ela se torna alguém que precisa de carinho, afeto e cuidado como todos os outros. E isso de alguma forma a destrói.

Apesar disso tudo acabar com Ella, não achei fraca, o que já não posso dizer de Reed. Sabe aquela definição de "que macho chato da porr*"? É isso aí, principalmente no começo do livro, mas sendo bem justa o fato é que toda a família Royal é escrota, quebrada e cheia de problemas e segredos. Claro que Reed dá uma melhorada e tenta se desculpar por todas as coisas ruins que faz, mas mesmo assim a personalidade dele é muito orgulhosa e egoísta. Os outros irmãos de Reed seguem muito o padrão dele: chatos, mandões, mimados, talvez a única exceção seja East, mas não dá pra saber só por esse livro. O que dá para saber através de  Princesa de papel é que Callum e seus filhos precisam de terapia intensiva. A família está coberta por um luto que não passa e esse mesmo luto (a mãe dos meninos morreu de overdose) está destruindo a sanidade e amor de toda a família. O pai é ausente e parece não ligar para os filhos, os mesmos parecem não dar importância para nada, nem mesmo para respeitar as pessoas.

Pois é, os personagens secundários não são tão secundários assim, muito pelo contrário, ao que parece aqui é que o romance de Ella e Reed é  o plano de fundo de uma história sobre poder, dinheiro e intrigas na alta sociedade. O livro todo tem muitas tramas que o leitor nem imagina e a cada novo segredo revelado é um choque maior do que o outro, confesso que ia lendo me perguntando o que poderia dar mais errado, e sempre tinha algo para dar mais errado. Confesso que está sendo difícil lidar com a espera pela continuação.

Foto: Enfim, resolvido

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

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