Resenha| A química que há entre nós, de Krystal Sutherland

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[ Globo Alt | Classificação: 5/5 | Ofertas ]
Henry Page só tem um objetivo no seu último ano no colegial: se tornar editor do jornal e, finalmente, conseguir créditos suficientes para entrar em alguma universidade. Mas isso tudo é antes de ele conhecer Grace Town. Toda esquisita, com roupas masculinas, sempre com sua bengala e seu mal humor, essa jovem guarda segredos obscuros sobre seu passado e, apesar de saber que ela é perigosa, Henry não consegue manter distância. Seu envolvimento com Grace ultrapassa todas as barreiras do saudável e, mesmo assim, Henry continua escolhendo amá-la. Mas será que amor é o suficiente para mantê-los juntos?

Histórias com finais felizes são só histórias que não terminaram ainda.
Tem tantas coisas nesse livro para serem abordadas que nem sei exatamente por onde começar, visto que quero falar de tudo ao mesmo tempo. Mesmo agora, uma semana após ter concluído a leitura, uma angústia me consome ao pensar em escrever sobre ele, porque o que eu queria mesmo era sair por aí pedindo para todo mundo lê-lo. Ultimamente, temos tido livros, filmes e séries abordando tantos assuntos importantes na adolescência, mas em A química que há entre nós somos apresentados a mais um assunto que precisa ser discutido. Sendo bem sincera, não é apenas um assunto, são vários, mas vou tentar focar no principal: a depressão.

O começo do livro é todo um mistério. Quem é Grace? O que ela está fazendo naquela escola? O que aconteceu com ela? E é nesse clima que o leitor já não consegue mais largar o livro, pois os enigmas não param de chegar e as respostas parecem não vir rápidas o suficiente, mas quando chegam... que balde de realismo jogado na sua cara. Aqui, abro uma aspas para falar sobre a autora, que apesar de iniciante, parece ter um conhecimento tão profundo sobre sentimentos adolescentes, sobre gírias e situações tão atuais que acaba aproximando o leitor ainda mais dos personagens e da história. Há um bom tempo não lia um livro tão real sobre o universo adolescente e os percalços que todos nós percorremos um dia.

Henry é um personagem tão fofo e ao mesmo tempo é daqueles que vai te fazer ter raiva, não sei o que poderia torná-lo mais real que isso. Ele tem um profundo amor por Grace, daqueles que quer salvar, resgatar, tirá-la daquele estado depressivo e fazê-la se sentir viva novamente. Porém, mesmo fazendo algo bom, ele irrita por se colocar em risco para conseguir fazer isso. E eu confesso que adorei ver que - para variar - foi um cara que estava aceitando todos os tipos de situações chatas pelo amor, pois há o clichê de só a mulher aceitar algo (não que eu ache que alguém tenha que aceitar nada). E isso me cansa.

Já não sei muito bem o que falar sobre Grace sem dar um enorme spoiler para vocês. Por isso, só vou dizer que ela é complexa, está quebrada e que apesar de odiá-la, no final de tudo, você a entende e se compadece dela. Como quis pegar esses dois e os abraçar e chorar com eles pela vida ser injusta! Se sobre Grace não posso falar muita coisa, quero falar muito dos personagens secundários. MEU JESUS, mais uma vez preciso tirar o chapéu para Krystal Sutherland por conseguir criar histórias secundárias tão maravilhosas, por ter dado a Henry pais maravilhosos e tão reais, até em seus problemas e defeitos. O que falar da irmã mais velha de Henry? Obrigada por mostrar que personagens secundários são mais do que apenas pessoas que aparecem em uma página ou outra para preencher um livro e, principalmente, por não tê-los esquecido no final.

Li alguns comentários lá fora fazendo comparações de A Química que há entre nós a outros livros e o avaliando como ruim por causa disso, eu só queria dizer uma coisa: esse livro não é nada parecido com algo que eu já tenha lido. Não estou falando da história em si, mas da complexidade da escrita da autora, do realismo da história, dos personagens tão humanos... de tudo. Se você chegou até aqui, percebeu que eu amei o livro, não é? Pois é e ainda não acabei, pois agora vem a melhor parte: o final do livro. Me destruiu? Me destruiu! Eu amei? Eu amei! Não só amei, como entendi, aceitei, chorei e conclui a leitura sabendo que aquilo era real e que precisa ser lido por mais pessoas.

Sei que não preciso, mas quero mesmo oficializar as 5 estrelas que dei à história, a autora e ao livro. Se você tiver a oportunidade de ler, por favor, leia. Se você não tiver a oportunidade de ler, por favor, encontre essa oportunidade, você não vai se arrepender.

Foto: Resenhando de pijamas

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

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