Porre de filmes| 'Mulher-Maravilha' é o mais novo acerto da DC Comics

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Em Themyscira, as Amazonas viviam uma vida pacífica e sem a presença dos homens, à espera do dia em que teriam de enfrentar o seu algoz, Ares, o deus da guerra. Diana (Gal Gadot), filha de Hipólita (Connie Nielsen), rainha das Amazonas, sempre demonstrou interesse e inclinação pela luta, mas a recusa de sua mãe super protetora não impediu que a sua tia Antíope (Robin Wright) a treinasse secretamente, fazendo-a descobrir a dimensão dos seus poderes.

Quando Steve Trevor (Chris Pine), ao ser perseguido, aterrissa acidentalmente na ilha e é salvo por Diana, desencadeia um confronto entre Amazonas e Alemães, deixando-as na linha de frente e introduzindo-as no que será o cenário principal da trama: a primeira guerra mundial. Questionando a verdadeira missão das Amazonas e seu propósito no mundo, Diana decide deixar Themyscira ao lado de Trevor para salvar o mundo da destruição.

75 anos após sua primeira aparição nos HQs, a mulher maravilha dá o próximo passo e ganha seu primeiro filme solo. Se Clark Kent e Bruce Wayne já foram ovacionados e vaiados durante seus mais de 80 anos de aparições por seus mais de 40 intérpretes no total, coube única e exclusivamente a Gal Gadot chamar a responsabilidade para si e estrear - e estrelar - com o pé direito o papel de Diana Prince nas telonas. Gadot, que ganhou destaque após sua atuação no filme Velozes e Furiosos 5, foi duramente criticada quando escolhida para interpretar a mulher maravilha em Batman VS Superman por não corresponder ao esteriótipo Hollywoodiano dedicado à WW, mas o seu desempenho calou a boca dos mais exigentes e concedeu-lhe o papel principal na trama.

O roteirista Allan Heinberg optou por contar de maneira sucinta e didática a história das Amazonas e sua ligação com os deuses. Já a diretora, Patty Jenkins, ambientou o longa no final da primeira guerra mundial, destacando a importância da personagem feminina durante o período e criando uma ligação afetiva com o telespectador.

O romance contido e envolvente com Trevor, a relação com a tia e até mesmo o vilão Ares contribuem para a evolução e transformação de Diana, de Amazona a Mulher-Maravilha. Diana é uma personagem inocente e goza da liberdade própria das Amazonas, o que dá espaço para cenas divertidas diante do cenário conservador, onde as mulheres não tinham direito a voz. O trio improvável composto por um índio contrabandista americano (Chefe), um escocês que adorava cantar (Charlie) e um árabe que sonhava em ser ator (Sammer) foi acertadamente equilibrado, mesclando preconceito e humor na dose certa para não se tornar comédia nem drama. 

Mulher-Maravilha não é mais um filme sobre super-heróis, é um filme sobre o amor. É um filme sobre acreditar nos ideais, resistir e lutar até o final. É sobre compreender que dentro de cada ser humano existe a luz e as trevas. É uma história forte, que faz com que as mulheres se sintam especiais e representadas, sem qualquer preconceito de gênero, como deveria ser sempre. 

Em termos de ação, o filme não deixou a desejar e as cenas com os vilões, Dra. Veneno e General Ludendorff,  merecem destaque, mas o grande embate final perde um pouco o propósito na reflexão sobre a humanidade, ao passar de uma Europa em ruínas, desprovida de grandes tecnologias para um show de efeitos especiais, seguindo o velho estilo de filmes de super-heróis, mas não foi o suficiente para apagar o brilhantismo do filme. 

Aclamado pela crítica internacional, Mulher-Maravilha parece ser o divisor de águas entre o acertado Batman: o cavaleiro das trevas e o escarnecido Batman x Superman. Aliás, foi fundamental a deixa para o próximo investimento da DC em A Liga da Justiça, que tem previsão de estreia para 2018. É, parece que depois de tanto tempo a DC acertou em cheio!

Pisciana, 2.6, humor de 60, dramática, apaixonada por livros e animais.

Instagram: @deebritoo

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