Devaneios| A cabana VS críticas religiosas: quem está certo?

13:00 2 Comments A+ a-


Em 7 de abril, estreou A cabana, adaptação do livro homônimo de William P. Young. Inclusive, O filme já ultrapassou 1 milhão de telespectadores no Brasil, mesmo com toda a crítica cristã "malhando" no livro. (E para quem não entendeu, malhar não é no sentindo "legal" da palavra).

Após da estreia do "hit cristão" - como muitos estão chamando -, surgiu vários questionamentos de religiosos que foram ver ao filme. Algumas das críticas levantadas, para alguns chamadas de heresia, foi a personificação de Deus, visto que somos produtos Dele e não personificação. Outros afirmam que no filme não há a ideia de inferno e que não nos ensina como podemos ir até Deus e buscar o perdão Dele. E ainda podemos ler que o filme despreza a adoração corporativa - talvez, eles queiram dizer a Igreja? -, valorizando muito mais a experiência pessoal. E, para finalizar, que a adaptação puxa "a sardinha" para o espiritismo. (Deixa eu fazer um desabafo: pensei que não ia acabar de tantas criticas religiosas).

A dúvida que fica é: os religiosos querem doutrinar em filme? Será que esse "método" de facilitar o entendimento de Deus não é visto pelo lado positivo? Será que o Deus representado como um homem branco, cabelos longos e olhos claros seria melhor visto? Ao meu ver, o Deus apresentando foi 1) uma forma de mostrar que Ele não tem aparência física, visto que, em alguma parte do filme, Ele até muda sua forma de apresentação e 2) os cristãos falam mal da personificação, mas qual seria a forma mais didática de apresentá-lo a um público que pode não ter tanta afinidade com a religião? Acho que é importante essa reflexão. 

Será que o filme não nos mostra mesmo uma versão real do Inferno? Na adaptação, Mack (interpretado por Sam Worthington) é um pai de família bem ao estilo comercial de margarina. E, num final de semana com os filhos, sem a supervisão da mãe e esposa, ele se descuida e quase perde não só 1, mas os 3 filhos. Para ele, sua filha é morta por sua causa. E o lamento fica por anos. Será que se sentir culpado pela morte de uma pessoa que você ama não é o próprio Inferno? Será mesmo que esse lugar sombrio precisa ser necessariamente retratado como um lugar cheio de almas perdidas e rodeado de chamas? Voltando... O Mack, através de uma carta, acaba encontrando Deus, Jesus e o Espírito Santo. É óbvio que ninguém vai esperar uma carta para ir até Deus, mas será que o perdão não é uma forma de chegar até Ele, não só o perdão, mas o arrependimento e com a fé existente em todos. E a igreja? É lá o único lugar em que nos encontramos com Deus? Em nas nossas orações antes de dormir, nos agradecimentos por mais um dia? Com quem estamos falando nesses momentos? Só? 

E, para finalizar, mais uma vez, o Deus só existe na religião cristã? Qual é o problema de representar um Deus "puxando sardinha para o espiritismo"? Será que em outras religiões não há Deus? Se você pensar assim, tenho uma péssima notícia para você: você precisa repensar acerca do que é religião e precisa aprender e apreender que há diversas religiões, não só a sua. 

Esse "pequeno" devaneio não é para dizer que o filme é perfeito, pois não é. Eu senti falta de diversas coisas, que não vou falar aqui para não soltar spoilers. E isso, ao meu ver, eram coisas que deveriam ter sido ditas. A adaptação tem furos, sim, mas será que as pessoas (cristãs ou não) estão se atentando à verdeira mensagem do filme? Em todo o filme podemos ver o quanto a fé ajuda a superar diversas situações, mas ninguém falou sobre isso, quer dizer preferiu criticar através de suas concepções religiosas. Outra coisa: é que o filme faz o telespectador refletir é acerca do perdão, pois é através dele que podemos seguir felizes e ao lado de Deus. 

Foram tantos questionamentos abordados que ESPERO que sejam refletidos. Afinal, criticar é muito mais fácil que "sair do seu mundinho" e olhar algo através de outros olhos, que não sejam os seus. Então, para finalizar, vamos ver ao filme não pensando em criticá-lo, mas em levar para as nossas vidas a mensagem que é passada. E outra, não há certo ou errado. O que tem que existir é bom senso e compreensão acerca do que é mostrado e falado. E uma dica: se você ainda não viu ao filme e quer saber um pouco mais sobre ele, não deixe de ler a nossa crítica "Encontre Deus e vários questionamentos em A cabana". 

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

2 Comentários
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21 de abril de 2017 16:48 delete

falar sobre religiao sempre eh um assunto delicado, acho que esse filme abriu portas para diversos tipos de reflexoes, como vc disse no post.. e isso ate que eh bom, que por mais que mts delas sejam negativas, traz novos espectadores para ver o filme e tirar a propria conclusao.. infelizmente as pessoas realmente levam para um caminho e nao ve o que realmente quer passar, mas as que entendem a mensagem podem levar ela para outras pessoas tb

perolasdelivros.blogspot.com

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23 de abril de 2017 20:58 delete

Oi, Ludmila. É bem isso mesmo. Algumas pessoas esquecem da verdadeira mensagem do filme. Infelizmente. :/

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