Resenha| Persépolis, de Marjane Satrapi

11:14 7 Comments A+ a-



Marjane é apenas uma criança quando vê o Irã ser jogado no meio do regime xiita, usou seu primeiro véu aos 10 anos e foi separada dos garotos nas salas de aula. Porém, a garotinha não se deixa abater, desde cedo ela expressa uma opinião política muito forte, e essa postura a faz entrar em várias confusões, juntamente com seus pais que sempre apoiam a garota em suas leituras e acesso a informações políticas. Persépolis acompanha Marjane desde criança até a fase adulta, onde sua postura política contra a ditadura que seu país vive a força a deixá-lo de vez. Quanto mais páginas viramos desse quadrinho, mais nos damos conta da força e inteligencia de Marjane e como um sistema falido pode modificar famílias, vidas e amores. Persépolis traz uma consciência para o leitor que se torna angustiante chegar ao fim e abandonar a personagem.

Vocês devem ter percebido que eu não me estendi no primeiro parágrafo da resenha, mas não foi por não ter gostado do livro nem nada do tipo, mas, sim, porque Persépolis é uma obra tão complexa que falar sobre a trama se torna difícil, pois não quero contar nenhum spoiler. Marjane se tornou uma inspiração para mim, e, hoje, entendo o motivo do rebuliço em torno desse quadrinho. Autobiográfico, o livro reconta a história da autora, que foi nascida e criada no Irã, mas que, quando ainda está com 10 anos, se vê jogada dentro do regime Xiita e, a partir daí, sua vida vira de cabeça para baixo, porém Marjane tem um questionamento muito maior do que a maioria das crianças que a cercam, fazendo com que ela se destaque e sempre esteja metida em alguma confusão. Seus pais usufruem de uma classe social confortável, mas, mesmo assim, são os primeiros a ir às ruas e questionar comportamentos do governo com relação às massas.

Marjane entre guerras, destruição, bombas e manifestações está sempre utilizando metáforas e diálogos internos para impulsionar o leitor a um pensamento crítico que normalmente escapa a pessoas da sua idade. Com poucos diálogos e muitas imagens, a garotinha vai levando o leitor através de uma gama de injustiças e questionamentos da vida mostrando outros ângulos e deixando quem acompanha a história cada vez mais sensibilizado.


"Na vida, você vai encontrar muita gente idiota, se te ferirem, pensa que é uma imbecilidade dela que os leva a fazer o mal, assim você vai evitar responder às maldades deles, porque não tem nada pior no mundo do que a amargura e a vingança... seja sempre digna e fiel a você mesma."
As peripécias de Marjane parece não ter fim e, quanto mais ela cresce e tem acesso às informações, mais e mais crítica e avaliativa ela se torna. Ainda na adolescência, ela vai morar na Áustria e lá percebe o quanto a realidade pode ser dura em qualquer lugar, porém a personagem não se deixa abater e segue em frente, sempre buscando e querendo quebrar os tabus. Acho que talvez esta seja uma das obras mais feministas que li nos últimos tempos, todas as pessoas da família de Marjane têm posicionamentos muito fortes, inclusive sua mãe, então a família inteira pode se vista como feminista. Até seu pai me surpreendeu em uma situação que, no começo, achei tosca, mas depois entendi e achei o máximo que um pai feminista pode fazer por sua filha.

Apesar das boas lições tiradas dessa história, ela tem suas partes tristes e históricas, por assim dizer. Confesso que pouco conhecia sobre a história do Irã, a não ser o que o noticiário fala, nunca procurei ler muito sobre, e Marjane nos dá um panorama simples e claro do que é esse país, do que vem acontecendo com ele há tantos milênios e o que o vem devastando nas últimas décadas. Claro que a vida não é vida sem suas partes tristes, então os lencinhos precisam estar a postos quando você for ler Persépolis.

Acho desnecessário dizer que amei o livro e que , com certeza, irei relê-lo, por isso não pode ser menos que 5 estrelas e já quero ler outras obras da autora, porque o final de Persépolis me deixou meio: e agora?! Vou fazer uma afirmaçãozinha que pode até soar extrema, mas esse livro deveria passar a ser leitura obrigatória nas escolas. Sem mais, só quero dizer que amei conhecer Marjane e sua força inabalável! Que exemplo!

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

7 Comentários
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Lilian Farias
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9 de março de 2017 13:12 delete

Oi, Ray
Esse livro é extraordinário, excelente para uso em sala de aula, leitura de entretenimento, informativa, livro pra ter na estante, na bolsa em todo lugar. Gosto de livros que trazem a história da Ásia e principalmente, quando fazer crítica a posição Norte Americana.

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Helana Ohara
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9 de março de 2017 20:58 delete

Sou apaixonada por Persepolis ♥
É inteligente, extraordinário!
E assim como você pouco sabia da história do Irã, acredito que nossa protagonista, soube explorar bem a parte histórica.

Beijinhos, Helana ♥
In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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Amanda Caldas
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9 de março de 2017 22:09 delete

Eu amo Persépolis <3
Já li umas 15 vezes e sempre aprendo algo novo, é incrível como este livro explora a realidade.

Adorei a resenha.

Sucesso.
Bjos <3
http://fonteliterarias.blogspot.com.br/

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Emily Abreu
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10 de março de 2017 23:09 delete

Eu ainda não conhecia a história desse livro, por isso até então para mim esse livro era epenas um livro infantil. Mas percebi que não é exatamente isso. Não sabia que era autobiográfico. A sua resenha está muito boa, e instigatória, gostei muito.
Beijos
Livrofilia | Fan page Livrofilia

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Daiane
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12 de março de 2017 01:45 delete

Olá, Ray, como vai?

Ainda não tive a oportunidade de ler Persépolis, mas vontade não me falta. Adoro livros que abordam histórias verídicas, e como sempre leio comentários incríveis à obra, assim como a sua, fico cada vez mais empolgada em fazer a leitura. Espero que isso aconteça em breve! Amei a sua resenha!

Beijos!

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12 de março de 2017 19:11 delete

Oii!
Eu já vi algumas resenhas para essa obra mas acabo esquecendo de comprar.
Além de ter uma temática legal e importante é ilustrado, e eu adoro isso!
Sua resenha ficou encantadadora!

Beijinhos

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14 de março de 2017 11:59 delete

Oi, Helana. Soube, sim, e aprendi bastante com o livro.

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