Resenha| O museu do silêncio, de Yoko Ogawa

14:11 4 Comments A+ a-

Suspense | Editora Estação Liberdade | Classificação: 5/5 | Ofertas
Um museólogo é convidado por uma senhora até uma vila para construir um museu na propriedade dela. Porém, não era um museu como outro no qual ele já havia trabalhado, esse era um museu exótico, diferente de tudo que ele conhecia. Nesse museu, ele deveria catalogar objetos que pertenceram à pessoas já mortas do vilarejo para que elas nunca fossem esquecidas.

"- São objetos de recordação dos mortos - disse a velha. - Todos deixados pelas pessoas da vila."

A velha que o contratara era uma senhora rica, temperamental, que iniciou a coleção dos objetos quando tinha 11 anos. Além disso, ela mantinha um almanaque, produzido por ela, que utiliza como uma espécie de oráculo. No entanto, além de tentar dar um tratamento museológico para os objetos que a velha já havia coletado, ele foi incumbido de obter os objetos dos próximos mortos. Para isso, o museólogo vai contar com a menina, filha adotiva da velha, que o ajuda na coleta das recordações; do jardineiro, que o ajuda a construir o museu; e da criada, que está sempre cuidando dos habitantes da casa.

"Aconteceu o que eu temia. [...] Apesar de eu saber que esse momento chegaria, desde a primeira vez em que a velha falou sobre o projeto do museu, no fundo desejava que ele demorasse muito ou, melhor ainda, que nunca chegasse. [...] Uma pessoa da vila morreu."

Confesso que no começo da obra tive uma sensação de estranhamento pelo fato da autora apresentar os personagens pelas suas funções e não por nomes, e a história ser ambientada numa localidade inóspita, também não identificada, mas no decorrer da narrativa essa sensação desaparece e a história flui tranquilamente. Isso foi o que me fez não desistir da leitura, apesar desse estranhamento.

Com um enredo curioso, o experiente museólogo narra as suas impressões em relação ao trabalho para o qual fora contratado, além de termos um apanhado geral do trabalho cuidadoso para a catalogação, preservação e reparação dos objetos de recordação para o museu. Ou seja, percebemos todo o cuidado em criar esse mundo particular, irreal e silencioso. 

A escrita de Yoko Ogawa é simples e sutil. O ritmo da narrativa é lento, os fatos são trazidos à tona lentamente, o que combina com a atmosfera suave da história e vai se tornando sombria ao chegar ao final. Em muitos trechos, porém, a autora apresenta uma linguagem poética quando aborda a passagem do tempo, a memória, a vida e a morte. Um romance pungente e difícil de explicar, mas que vale a pena dar uma conferida. Leitura mais que recomendada!

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4 Comentários
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Lorena
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6 de março de 2017 10:58 delete

Depois dessa resenha estou ainda mais ansiosa pelo livro. Impressionante!

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6 de março de 2017 13:43 delete

Olá tudo bem?
Gostei muito da resenha e da forma como você conseguiu detalhar os fatos sem revelar spoilers ou informações demais sobre o livro, mas não é o tipo de livro que leria no momento, estou agora em uma vibe menos complexa e então vou deixar a dica passar dessa vez.

beijinhos.

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6 de março de 2017 21:29 delete

Oi, tudo bem?
A premissa é mesmo interessante, e realmente a denominação dos personagens a partir de suas funções é mesmo inesperado e estranho de se acompanhar numa resenha, quanto mais na leitura propriamente dita, rs. Mas toda essa questão de um museu com peças de pessoas falecidas, ainda que inusitada, deve render mesmo grandes reflexões e mensagens por trás de sua leitura, e ainda que não seja meu estilo de leitura, fiquei visivelmente curiosa com a obra, sim. Se tiver uma oportunidade, irei conferi-la, valeu a dica!
Beijos!

♥ Sâmmy ♥
♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥

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8 de março de 2017 21:28 delete

Oi, que bom que você gostou. Se conseguir ler o livro, volta aqui e nos conta o que achou. :)

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