Resenha| Cujo, de Stephen King

11:02 22 Comments A+ a-

Literatura Estrangeira, Terror | Suma de Letras | Classificação: 5/5 | Ofertas
Vic Trenton mudou-se com a sua família de Nova Iorque para o Maine, querendo recomeçar a vida na pacata cidade de Castle Rock, onde ele e o seu sócio, Roger Breakstone, acreditaram ser o lugar perfeito para abrir sua própria empresa de publicidade, a Ad Worx, e ter uma vida tranquila. Porém, Tad, seu filho de apenas 4 anos, não concorda muito com isso. Ele andava tendo problemas durante a noite, acreditando que havia um monstro em seu armário. Para Vic e Donna, sua esposa, era apenas uma coisa de criança, que logo foi desencorajada; mas, para o pequeno Tad, o seu armário abrigava Frank Dodd, o famoso serial killer da cidade morto há alguns anos, após ter cometido quatro assassinatos.

"O monstro estava naquela escuridão, agachado no mesmo lugar de antes. Sorria para ele, e os ombros enormes se erguiam sobre a cabeça caída para o lado e os olhos emitiam aquele brilho âmbar, vivos com uma esperteza estúpida. 'Eu não falei que eles iriam embora, Tad?'".

Vic estava passando por uma situação difícil. A  Ad Worx estava prestes a perder a sua maior conta por causa de um incidente de grande repercussão, envolvendo um de seus clientes. Além disso, sua relação com Dona vai de mal a pior. Porém, Vic estava disposto a lutar o quanto fosse preciso para reerguer seu casamento e a sua empresa, mas, para isso, ele e Roger embarcam para Nova Iorque.

Do outro lado da cidade, mora a família Chamber composta por Joe e Charity, o filho deles, o Brett, e Cujo, um simpático são bernardo de mais de noventa quilos. Um dia, correndo atrás de um coelho, Cujo acabou ficando preso em um buraco e sendo mordido por um morcego. E, então, sem que ninguém notasse e nem mesmo ele entendesse, algo mudou. E não foi para melhor.

“Cujo olhava para o MENINO e não o reconhecia mais: não reconhecia o rosto, nem os tons das roupas (ele não conseguia ver exatamente cores, não da forma como os humanos viam) nem o cheiro. O que via era um monstro de duas pernas.”

Joe Chamber trabalhava como mecânico, ele poderia ser um bom profissional, mas estava longe de ser um bom marido. Quando sua submissa esposa, Charity, ganha na loteria, ela decide ir com Brett visitar Holly, sua irmã, em Connecticut. Era mais do que merecido tirar umas férias do seu opressor.

Fazia algum tempo que o carro de Donna apresentava sinais de que iria parar a qualquer momento. Sozinha com Tad na cidade enquanto Vic estava viajando, ela conclui que um carro é essencial e decide ir até a casa do velho Chamber para consertar o seu Corcel. Mas o que ela encontrou lá foi muito diferente do que imaginou. Algo estava errado.

"Donna saiu do Corcel, bateu a porta e deu dois passos para frente, com o intuito de contornar o carro e soltar Tad (...) Quando chegou à frente do carro e começou a contornar o Corcel, ouviu um novo som. Um rosnado grave e denso."

Não é novidade para ninguém que eu AMO o Stephen King. Então, é claro que eu não ia perder a oportunidade de ler esse clássico que assombra gerações desde os anos oitenta, quando foi publicado pela primeira vez. Além do mais, Cujo foi publicado como edição limitada e foi considerado um livro raro, até a Suma de Letras decidir que nós, meros mortais nascidos depois de 1981, tínhamos o direito de ler também. Em 1983, Cujo também virou filme e, até hoje, é tido como um dos livros mais assustadores do tio King. Mas será que eu achei isso também?

Primeiramente é interessante saber que Cujo faz referências a outros livros de uma Saga chamada Castle Rock, que é a cidade fictícia queridinha do King, pois dela se originaram seis livros e seis contos, mas nada que não possa ser lido independentemente (só a título de curiosidade para os fãs). Lembram que a história de Cujo também se passa em Castle Rock? E de Frank Dodd? No livro Zona Morta, a história de Dodd é contada com mais detalhes. Como vocês podem perceber, o autor adora fazer referências a personagens de livros anteriores e quem é leitor fiel (tipo eu) acaba pescando uma aqui e outra acolá.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o fato de o livro não ser dividido por capítulos, é uma história ininterrupta e, em alguns momentos, eu estranhei isso. A edição está é lindíssima e tem um bônus para os fãs: uma entrevista do Mestre dos Mestres do terror, o Stephen King, (fico emocionada só de lembrar) que nos insere um pouco mais no universo sombrio e fantástico dele.

Os personagens são bem caracterizados, possuem traços marcantes e bem definidos de suas personalidades e são sabiamente interligados. Enquanto todos morriam de medo de Cujo, eu acredito ter sido a única que se comoveu com a sua situação a ponto de cogitar pular algumas partes (me julguem!) porque foi dada voz ao cachorro, e saber a agonia e a dor pela qual ele estava passando me cortou o coração, mas não se iludam: todas as noites penso na criatura do closet e opto por deixar a tv ligada até pegar no sono. As cenas finais podem ser consideradas um superlativo de terror psicológico, indicada para os que tem coração forte. Característica marcante do autor, apenas o início da história traz a referência do sobrenatural com a menção de Frank Dodd, pois tudo o que vem a seguir poderia realmente acontecer numa aplicação mórbida e literal da Lei de Murphy.

A primeira coisa que pensei quando comecei a ler o livro foi: meu Deus, que história cruel! Cujo é o conjunto de acontecimentos que definitivamente não deveriam ter acontecido, desencadeando um desfecho com proporções épicas e devastadoras. Cabe a nós, leitores, finalizar a leitura no mundo do achismo, pensando que 'se' tal personagem tivesse feito isso ou 'se' tal coisa tivesse sido diferente, porque, sim, a maior parte dos incidentes a que somos apresentados poderiam ter sido evitados. Acreditem, é angustiante, dilacerante e imprevisível. Preparem-se para King em seu melhor estilo frio e certeiro. Boa leitura!

Pisciana, 2.6, humor de 60, dramática, apaixonada por livros e animais.

Instagram: @deebritoo

22 Comentários
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Helana Ohara
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1 de março de 2017 17:10 delete

Mano! Já me assustei pelo livro ter o nome do cachorro. Que aliás deu para entender.
Fiquei bem curiosa. Se It A Coisa eu já acho bem assustador, e Cujo é mais. Preciso ler então. Quem sabe um dia tenho a oportunidade.
Beijinhos, Helana ♥
In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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2 de março de 2017 13:12 delete

OOi!
Confesso que os livros do autor não chama muito minha atenção por conta do gênero, sou muito medrosa. kkk Por mais que a premissa tenha me deixado bem curiosa, não sei se me arriscaria. Bom, quem sabee um dia... Por hora, passo a dica.
Beijoos!

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2 de março de 2017 15:27 delete

Eu não sou uma grade fã do autor, mas admiro seu trabalho. Li Cujo em janeiro e curti a história, também estranhei o fato dela não ter capítulos, mas o espaçamento dos momentos de pausa são confortáveis, então li de boa. Não achei o livro nada assustador, achei agoniante.

Beijos

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2 de março de 2017 18:23 delete

Oi, Diana!
Essa capa é linda e instigante. Só de olhar me dá vontade de ler logo!
Não tem capítulos? Mas tem momentos de pausa?
Esse ar macabro é o que me deixa curiosa para ler o livro. Um cachorro possuído e ainda assim tem algum sentimento por fazer o que fez. Tadinho! Ou não! rsrs...
Beijão!
http://www.lagarota.com.br/
http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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Ivi Campos
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3 de março de 2017 07:48 delete

Faz um tempão que não leio nada do King e fiquei interessada com esse livro aqui. Não sei se essa narrativa ininterrupta funcionaria muito bem pra mim, mas fiquei curiosa em como isso se dá no livro, sem capítulos.
Quero ler.
MEU AMOR PELOS LIVROS
Beijos

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3 de março de 2017 17:48 delete

Olá!! :)

Eu já conheci o autor claro, mas acho que este livro ainda não! :) Na verdade, quero ler algo dele já há algum tempo! :)

Bem, que bom que as personagens cativam tanto, e que a historia e tao cruel (é, eu sou mauzinho!) ahahah :)

Boas leituras!! ;)
no-conforto-dos-livros.webnode.com

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Nay Sartor
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4 de março de 2017 18:06 delete

Oie! Tudo bem?

Já li alguns resenhas desse livro, e todas positivas como a sua! Eu amei essa edição, ainda mais que li que a bata é em baixo relevo, isso com toda a certeza da um toque a mais! Ainda não tive a oportunidade de ler algo do tio King, mas sou fã dele desde sempre! Espero em breve ler algo, mas não começarei por esse livro, pois ficarei com uma visão bem ruim de uma raça de cachorro que amo! kkk

BJss

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5 de março de 2017 12:59 delete

Olá!

Gente, que livro tenso! Já fiquei com algum medo só de ler sua excelente resenha! Adoro o King, mas não sei se arriscaria ler esse, fiquei com dó do pobre Cujo, como assim logo ele se dá mal?

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Diana Brito
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5 de março de 2017 20:27 delete

Oi Helana!!!Então, em termo de assustador eu acho mais o It porque tenho pavor de palhaços. Embora esse livro seja tido como o mais aterrorizante, eu qualificaria como angustiante mesmo! Espero que vc curta! Bjossss

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Diana Brito
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5 de março de 2017 20:29 delete

Oi Tamires!!!! Exato! A parte da coisa do closet até é assustador, mas não consegui ver a parte do cachorro como tal. Achei muito mais angustiante também! Bjosssss

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Diana Brito
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5 de março de 2017 20:31 delete

Oi Crisss!!! Não tem capítulos! Super estranho né? As "pausas" seriam tipo passando de uma parte pra outra porque são histórias de vários personagens interligados entende? Dá pra ler numa boa!Sinceramente eu fiquei no grupo dos que acham o cachorro um coitadinho hahahahha Bjosssss

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Diana Brito
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5 de março de 2017 20:38 delete

Oi Kamilaa!!! Pois é, achei mó triste isso tbm kkkkkk logo o cachorro é fogo!!!sou daquelas que pode ver todo elenco de um filme de terror morrer mas quando sobra pro cachorro cai no choro, sabe como é? O King foi cruel :P Mas se vc curte ele, vai adorar a leitura sim. Força miga! kkk bjosss

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Diana Brito
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5 de março de 2017 20:41 delete

Oie! Olha, se curte o trabalho do autor eu super indico a leitura. Acho que você não vai ficar com essa visão ruim mas não posso falar mais kkkkkkk Deixa de medo e boa leitura! Bjosss

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Diana Brito
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5 de março de 2017 20:42 delete

Oiee! Eu também sou má, mas tudo com animal me corta o coração kkkkkk Acho que Cujo é uma ótima oportunidade de retomar a vida Kinguiana <3 Bjossss

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6 de março de 2017 17:38 delete

Oiii
Fiquei com medo só de ler a resenha! Hahaha
Até hoje só li um livro do King "Joyland" é era um terror moderado, então eu gostei bastante. Mas estes livros mais "sérios" eu não leio não. Sou super medrosa. Mas com certeza vou indicar para a Ana, minha parceira de blog que ama o King. =)

Vícios e Literatura

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6 de março de 2017 22:03 delete

Oi!
Ainda não li esse livro, mas estou muito curiosa para ler, pois acho a premissa muito interessante.
Gostei de você ter compartilhado a sua primeira impressão sobre a obra e fiquei contente por ela ter sido "cruel". Gostei também da questão do "achismo" e do "se". Acho que esse livro, de certa forma, faz o leitor pensar.
Beijos

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7 de março de 2017 20:39 delete

Olá gostei da sua resenha bem escrita e completa, conheço o autor mas nunca li nada dele. Gostei dessa história tem uma mescla de terror e suspense que eu particularmente prefiro mais em filmes do que livros, mas é um tema que eu gosto muito. Não sabia que Cujo tinha virado filme, vou pesquisar a respeito, quem assistindo o filme fico tentada a ler o livro. Bjs

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9 de março de 2017 10:04 delete

Olá, tudo bom?
Sou super medrosa, então tenho a consciência de que esse tipo de livro não é para mim. Se você estava pegando no sono com a tv ligada por causa do livro, eu estaria com a luz acessa, dormindo abraçada com uma vassoura kkkkk (sim, esse é meu nível de medo haha).
Brincadeiras à parte, achei sua resenha super bem escrita e acho que deve ser um enredo muito interessante, ainda mais quando é dada voz ao cachorro e se tem um vislumbre de todo seu sofrimento. Não te julgo porque eu provavelmente também pensaria em pular alguns capítulos. Enfim! Achei sua resenha super interessante! Se não fosse medrosa você teria me convencido a lê-la!

Beijos!

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Ana Gabriela
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10 de março de 2017 21:01 delete

Leio "Cujo" e só lembro do episódio de Friends que faz referência ao filme hahaha. Bom, assim como você provavelmente eu ia pular partes por causa do sofrimento do cachorro. Sou muito apegada, não sei se conseguiria ler esse livro .
www.belapsicose.com

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14 de março de 2017 00:22 delete

Oiee, tudo bem? Amei a resenha! Eu nunca li nada do King e tenho muuuita vontade de conhecer suas obras, pois apesar de não ler muito o gênero, gosto bastante de histórias de terror. Cujo parece ser incrível com toda essa imprevisibilidade. Já quero muito! :D
Beijos!

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Nayara Borges
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19 de março de 2017 22:29 delete

Olá!
Eu também amo King!!! Eu ainda não li esse livro, apesar dele está na minha lista a muito tempo. Eu também ficaria angustiada com a situação do cachorro, por isso não te julgo pular algumas páginas hahaha. Eu não vi o filme ainda, depois vou colocar ele na minha lista também.
Não tem TV no meu quarto, já estou vendo que vou ficar sem dormir :o
Beijos,
Nay
Traveling Between Pages

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Livros & Tal
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20 de março de 2017 22:10 delete

Oieee!!!
Aiii menina... não, definitivamente esse livro nao é pra mim MESMO kkk
Sou meio que muito medrosa sabe? Por isso eu passo muito longe desse tipo de livro, diferente de vc, nunca li nenhum livro do King e nem pretendo kkkk

beijos
Livros & Tal

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