Resenha| Crave a marca, de Veronica Roth

14:53 6 Comments A+ a-

Young Adult, Ficção cientifica | Editora Rocco | Classificação: 3,5/5 | Ofertas
Em Crave a marca, conhecemos Akos, um garoto que mora no planeta-nação chamado Thuvhe. Filho de um fazendeiro e uma Oráculo, Akos e a família têm uma vida simples, esperando o dia em que será relevado a ele o seu dom-da-corrente (uma espécie de dom único) e sua fortuna (seu destino). Tudo estava muito bem, até que um dia o tirano Ryzek Noavek tentando fugir de sua fortuna e, consequentemente, mudá-la, acaba com a família de Akos, sequestra o irmão dele e o leva junto. 

"O dom de uma pessoa vem de quem ela é - disse Ryzek. - Ela é o que o passado fez dela."

Na nação Shotet, Akos servirá a Cyra Noavek, irmã de Ryzek, pois o dom da garota é, digamos, bastante peculiar, ela sente dores o tempo inteiro, pode compartilha-lá com quem quiser e matar pessoas com isso. Akos tem um dor que pode ajudá-la, por isso ele passa 24h por dia com Cyra. Nessa relação, ele verá que a garota não é igual ao irmão, e ela verá nele uma forma de aliviar a solidão. Porém, o que Akos mais deseja é fugir daquela nação e resgatar seu irmão que esta sofrendo com o dom-da-corrente de Ryzek. Quando descobre a amizade mútua entre Akos e Cyra, Ryzek aproveita para consegui realizar o seu plano de ser o soberano de Shotet e ter o controle sobre todo o planeta, mudando, assim, sua fortuna, independente das consequências que isso trará. 

"Uma fortuna é algo que acontece, não importa qual versão do futuro eu veja."

No novo universo criado por Veronica Roth, autora de Divergente, temos um planeta em guerra, uma energia misteriosa chamada de "a corrente", e isso garante aos habitantes dons únicos, e muito drama e um pouco de romance. Poderia ser um bom resultado? Sim, poderia. Porém, não foi. A impressão que tive foi que o livro não foi bem abordado. A história da galáxia, dos planetas, da "corrente" foi superficial e pano-de-fundo para os dramas da história. Agora, pensem comigo: se isso tudo fosse para ser somente o pano-de-fundo, a história poderia acontecer em qualquer universo, em qualquer tempo e em qualquer lugar, inclusive aqui, na Terra, no século XXI. Por isso, achei que foi pouco abordado. 

A ambientação da história foi fraca, mas a trama achei razoavelmente boa, apesar de achar um pouco lenta, e as partes verdadeiramente boas posso contar nos dedos, infelizmente. Em compensação, os personagens e seus dons-da-corrente foi, para mim, a melhor parte da história, além dos segredos e da guerra que os envolviam. Um dos personagens principais, o Akos, é super, eu disse super, persistente, não desiste do que almeja, além de ser o personagem que acredita da bondade, que tem compaixão pelo outro. E eu gostei disso. Já a Cyra, ela é uma personagem feminina forte, apesar de ser um pouco ingênua no início. Os personagens secundários foram bastante abordados durante a leitura, eles participam ativamente do enredo, a Veronica soube usá-los bem. O irmão de Akos, o Eijeh é o une os dois e o que pode ajudar Rayzek, o vilão, a mudar sua fortuna. Sem dúvidas nenhuma, os personagens foram interligados de forma excelente, sem pontas soltas, sem erros. E, no fim, tudo faz sentido, todo mundo está "junto e misturado".

"É difícil saber o que é certo nesta vida. Fazemos o que podemos, mas o que realmente precisamos é de compaixão."

E o final? Esse é um dos problemas desse livro. O livro tem uma história boa, como falei, mas não é maravilhosa, além de ser uma leitura, digamos, lenta. Ainda por cima, o final foi muito arrebatador. Isso não posso negar, porém só aconteceu nas últimas páginas e ainda deixou assuntos "em aberto" para o(s) livro(s) seguinte(s). Então, realmente espero que o próximo livro seja muito bom, que a autora consiga ambientar melhor a história e consertar as falhas desse primeiro livro. 

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

6 Comentários
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9 de fevereiro de 2017 22:36 delete

Essa sensação é bem ruim... Tive a impressão que o final foi meio corrido, pelo que você falou. E penso que em livros do gênero a ambientação/contextualização precisa ser muito bem feita, afinal de contas é um novo universo e as coisas funcionam de maneira diferente. Saber que a leitura foi lenta e que haverá outros volumes também me desanima, estou evitando séries no momento...



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Anna Caroline
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9 de fevereiro de 2017 23:33 delete

Oi Jadson, tudo bem?
Mesmo tendo gostado da série Divergente eu não me senti atraída por Crave à Marca, desde que li a sinopse fiquei encucada com alguns elementos e através da sua resenha percebo que a falta de tato para ambientar e tantos outros probleminhas mencionados. ao que parece é que pegaram carona no nome da autora.
Dessa vez vou deixar passar a dica.
Beijos

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Aline Furtado
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11 de fevereiro de 2017 12:25 delete

Olá!
Apesar de adorar a trilogia Divergente, Crave, a marca não me chamou atenção. Quando li a premissa, tive a impressão de que estava faltando alguma coisa. E após ler sua resenha cheguei a conclusão de que apesar de parecer uma boa história, acredito que as falhas me incomodariam bastante.
No momento ainda não senti vontade de ler, mas futuramente, quem sabe?
Beijos.

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Nati Rabelo
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12 de fevereiro de 2017 16:31 delete

Oie!
To muito curiosa com esse livro, apesar de ainda não ter lido nada da autora.
Uma pena que vários foram os pontos fracos desde livro, espero que o final arrebatador seja um indício que o próximo livro será melhor.
Beijo

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Daiane
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13 de fevereiro de 2017 10:15 delete

Jadson, a capa do livro, assim como sua sinopse, são bastante instigantes, e para falar a verdade, fiquei bem curiosa com ele. Suas opiniões me deixaram meio balançada, e adorei sua sinceridade. Mas, como assim a menina sente dores e passa para as outras pessoas?! Que doideira! rs Pena que a leitura tenha sido lenta. Assim que tiver a oportunidade, irei fazer a leitura.

Beijos,
Dai | Virando a Página

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14 de fevereiro de 2017 04:33 delete

Oi Jadson, tudo bem?
Não acredito!!! Essa é a primeira resenha que leio do livro. Já vi que não posso ter muitas expectativas em relação a essa autora. Ainda não li divergente, mas uma amiga disse que o texto dela não é bom, não é bem desenvolvido, ela não gostou. Agora ela começa uma nova série e já comete o mesmo pecado, não desenvolveu o universo que criou. Que pena que ainda é lento e um pouco fraco. Já vi que é só para passar o tempo mesmo. Gostei muito da sua sinceridade, sua resenha ficou ótima!!
beijinhos.
cila.
http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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