Resenha| Apenas um garoto, de Bill Konigsberg

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Ficção americana, Romance LGBTI | 253 páginas | Editora Arqueiro | Classificação: 5/5 | Ofertas
Como seria, para você, viver a base de rótulos? Imagina você não ser lembrado ou chamado pelo nome, mas por sua sexualidade, aparência ou, até mesmo, jeito de agir ou pensar. Esse livro é para todos que sofrem ou sofreram com rótulos e para aqueles que rotulam o outro, mesmo sem querer.

Nessa história escrita por Bill Konigsberg, conhecemos Seamus Rafael Goldberg, mais conhecido como Rafe, um garoto que saiu do armário aos 13 anos. E, antes de você possa pensar algo, sim, os pais do Rafe o amam e aceita-o do jeito que ele é. No entanto, após deixar todos saberem de sua sexualidade, Rafe começou a ser o garoto gay, o garoto que defende as causas gays, o garoto que não pode tomar banho com outros garotos no vestiário da escola, o garoto que não tem amigos heterossexuais, ou seja, vários rótulos surgiram. Para todos, esse era o Rafe.

“As pessoas vivem me rotulando, quero ficar só livre disso.”

Cansado de ser rotulado, ele decide ir para uma escola somente de meninos em outro estado, além disso ele pretende manter sua sexualidade em segredo. E por que isso? Porque ele queria ser só mais um garoto, um garoto normal. E isso não quer dizer que ele quer voltar para o armário. Ele só quer ser o Rafe, o Rafe humano. 

 “Na escola Natick, eu poderia ser apenas Rafe. Não o filho colorido da Opal e do louco do Gavin. Não o menino “diferente” do time de futebol. Não o garoto declaradamente gay que calculava todos os passos que dava.”

Chegando na nova escola, no novo estado, no seu novo quarto, que será dividido com um amigo, Rafe logo percebe o quanto sentia falta de ser tratado como só mais um garoto qualquer. Lá, esse entrará para um time de futebol, terá vários amigos atletas do time e, sem perceber, acabará se apaixonando por um de seus amigos héteros – isso não é spoiler.

Em Apenas um garoto, temos uma história diferente da que ouvimos por aí. Aqui, o garoto não sofre bullying, é aceito pelos pais, não é xingado pelos homofóbicos do bairro. Nada disso acontece. Aqui, Rafe só quer ser ele mesmo. E, apesar de parecer uma história simples, afirmo que é na simplicidade que encontramos as melhores coisas. E, posso dizer, que esse livro traz assuntos relevantes e garante uma boa reflexão ao leitor. Aqui, o assunto é sexualidade, amizade, amor, identidade e respeito.

Além de temas importantes, também somos apresentados a personagens críveis. Rafe é o garoto amado da família. Ele tem pais que o amam, o aceitam, o respeitam e até fazem alguns “favores”, mesmo que eles não concordem. Os personagens secundários são indispensáveis. Konigsberg não poupou realidade ao livro. E, em um momento da leitura, o leitor pode acabar conseguindo, de fato, trazer toda aquela situação para vida real. E o melhor, podemos entender o Rafe, amá-lo, aceitá-lo e torcer para que tudo, no final, dê certo.

Com uma escrita simples, fluída, que prende o leitor, Apenas um garoto é um livro que super-recomendamos a todos. Aqui, temos uma trama engraçada, inesperada e incrível. Além disso, como disse o Ned Vizzini, autor de Casa de segredos e Uma história meio engraçada, uma história dolorosamente honesta. Poderíamos dar mais adjetivos para o primeiro romance LGBTI publicado pela Editora Arqueiro, mas não precisamos. Só leia-o. Divirta-se. Reflita. E recomende-o.

“ – É difícil ser diferente – disse Scarborough. – E talvez a melhor resposta não seja tolerar diferenças, nem mesmo aceitá-las, e sim celebrá-las.”

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

14 Comentários
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Cássia
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13 de agosto de 2016 11:46 delete

Olá.
Já tinha visto o livro por aí, mas não me lembro de ter lido alguma resenha.
Achei bastante interessante o autor não usar o bullying como tema central da trama, e mostrar um outro lado das pessoas homossexuais: aquelas que são aceitas pelos pais. Geralmente vemos o quanto eles sofrem nos livros e trazer uma perspectiva diferente é simplesmente genial.
Fiquei bastante curiosa com o livro e quero conhecê-lo em breve.

Confissões de uma Mãe Leitora

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Jadson Gomes
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13 de agosto de 2016 17:24 delete

Cássia, o foco do livro não é ser aceito pelos pais. E sim ser aceito pela sociedade, mas recebendo um rótulo por ela. :)

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14 de agosto de 2016 14:45 delete

Olá Jadson,
Adoro livros assim e fiquei bem interessada nessa leitura. Gostei de saber que o personagem é aceito pelos pais e não sofre com preconceito dos outros. De certa forma, entendo o que o personagem passou e sei como é bom não termos rótulos, como é querer não ter rótulos. Não sabia que esse livro tinha essa temática e fiquei muito interessada em fazer a leitura.
Parabéns por sua resenha.
Beijos,
Um Oceano de Histórias

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Amanda Pires
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14 de agosto de 2016 18:07 delete

Oi, Jadson.
Essa semana meu amigo estava lendo esse livro e ele gostou muito. Fiquei interessada principalmente pelo tema, temas assim são sempre muito importantes e devem ser retratados mais vezes na literatura.
Narrativas leves e rápidas também me chamam atenção.
Espero poder lê-lo em breve.
Abraços,
Amanda

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Camila Coelho
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15 de agosto de 2016 10:25 delete

Oi, sabe acho muito triste os rótulos que as pessoas colocam uma nas outras que valem mais do que o caráter e acho que esse livro pela sua resenha aborda exatamente isso é deve nos trazer várias reflexões.
Bj

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Amanda
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15 de agosto de 2016 14:02 delete

Oi Jadson, tudo bem?
Pela sua resenha essa história me parece ser maravilhosa. Amei essa ideia que o autor utilizou pois dessa forma acabará fazendo o leitor refletir sobre rótulos, que não precisamos ser definidos o tempo todo por algo que a gente somos. Afinal de contas, tenho certeza que Rafe e outras pessoas gays são muito mais que isso e ás vezes as pessoas não se dão conta disso, esquecem que é uma pessoa normal como qualquer outra. Imagino que o livro tenha uma leve pegada de drama já que o protagonista irá se apaixonar por um garoto hétero, mas ainda assim me parece ser uma história incrível e espero lê-la em breve.

Beijos! ♥

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Karine Maria
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15 de agosto de 2016 15:15 delete

Oi, como vai?
A capa desse livro não me é estranha, então já devo ter me "esbarrado" com ele em alguma página das livrarias enquanto buscava por promoções, mas não cheguei a ver sinopse nem nada.
Livros com a temática "bullying" só li os da escritora nacional Carolina Munhoz. Sei que esse não é o foco do livro, como você ressaltou na resenha. Rafe parece ser um personagem por quem nos apaixonaremos de cara e iremos torcer sempre pra que ele consiga tudo que quer. Definitivamente, no mundo em que vivemos, ter pais compreensíveis quanto a esse caso é bem difícil e praticamente escasso, mas que bom que o autor resolveu não ressaltar esse fator no livro e trazer a obra para nossa realidade, fazendo com que muitos jovens se identifiquem com a vida de Rafe. Parece uma história incrível e encantadora.
Beijinhos *-*

- Kaah
Confissões de uma mãe leitora

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Diane
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15 de agosto de 2016 15:41 delete

Olá...
Esse tipo de trama geralmente me encanta muito! Pois, adoro livros leves com uma pitada de humor, logo, esse exemplar será uma boa pedida pra mim :)
Adorei sua resenha!
Beijos

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17 de agosto de 2016 17:18 delete

Oi Jadson, quando vi este livro entre os lançamentos da Arqueiro, fiquei bem interessada no enredo, estava louca pra ler alguma resenha para saber opiniões sobre ele.
Só o fato de Rafe querer se ele mesmo, já é algo complicado, ainda mais quando sofremos tanta pressão para nos encaixarmos em um padrão definido. Gostaria de saber como termina esta paixão dele, mas isso só lendo mesmo né?
Bjs!

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PorredeLivros
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17 de agosto de 2016 18:33 delete

Oi! Se eu contar, não será surpresa. Tem que ler mesmo. hahaha. ;)

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18 de agosto de 2016 11:00 delete

Precisamos difundir mais esse livro, ele traz um tema que pode ser discutido ativamente em nossa sociedade. E o melhor que ele trata de uma maneira leve e humorada.
www.saotantas.blogspot.com

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18 de agosto de 2016 22:10 delete

Tratando se de forma leve e leitura fluida, até vontade de conhecer mesmo a historia, gostaria de poder ler esse livro.

Beijos

Viviana

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18 de agosto de 2016 23:21 delete

Eu ouvi falarem bastante do livro e, assim como o Vitor Martins falou em sua resenha, eu também fiquei com um pé atrás quanto a história mas devido ao acolhimento dos blogueiros e booktubers, rolou um "quero ler" básico na história. Abraços.

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21 de agosto de 2016 16:50 delete

Olá,
Já tinha visto o livro anteriormente como um dos lançamentos da Editora Arqueiro. Porém, nunca tinha parado para ler a sua sinopse ou alguma resenha relacionada a ele. Fiquei extremamente curiosa. O livro parece ser muito interessante e diferente de tudo o que eu já. Um garoto que quer ser considerado normal, sem rótulos e que se apaixona por seu amigo. Quero muito descobrir o final.
Beijos,
Delírios Literários da Snow

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