Resenha| A Rebelde do deserto, de Alwyn Hamilton

10:30 13 Comments A+ a-

Fantasia; Ficção internacional | 288 páginas | Editora Seguinte | Classificação 5/5 Ofertas
(Foto: Livros & Fuxicos)
Após a morte da sua mãe, Amani, uma garota de dezesseis anos, foi morar com seus tios Asid e Farrah na Vila da Poeira. Mas nem tudo são flores. Seu tio Asid quer se casar com ela (poligamia lá é permitido) e sua tia Farrah, óbvio, não quer dividir o marido com a sobrinha. Além disso, sua prima (falsiane) Shira faz de tudo para complicar a sua vida, como se não já fosse complicada o suficiente. Amani não tem outra solução, ela precisa fugir. Mesmo sendo uma atiradora habilidosa, uma garota sozinha e sem dinheiro no meio do deserto tinha poucas chances de alcançar o seu objetivo.

Longe dali, o deserto de Miraji tem seus próprios problemas. O sultão aliou-se ao povo vizinho, os gallans, e fornece uma grande quantidade de armas fabricadas em Vila da Poeira em troca de apoio político, sem saber que os gallans tinham seus próprios motivos para aceitar essa aliança. Além disso, Ahmed, um dos filhos do sultão, incomodado com a sua forma tirana de governar, se rebela e reivindica o seu direito ao trono por meio dos jogos do sultim. Acusado de traição, ele foge formando uma pequena aliança de outros rebeldes, que sonham por um Miraji melhor.

“Uma nova alvorada, um novo deserto”
Sem saber de toda essa confusão entre sultão, gallans e rebeldes, Amani  tenta fugir de casa em direção a Izman (cidade em que mora a irmã de sua falecida mãe) com um misterioso forasteiro chamado Jin, que conheceu numa disputa de tiro ao alvo em Tiroteio (qualquer semelhança não é mera coincidência), e acaba chamando atenção para si também. Jin é acusado de traição, e embora ela não saiba pelo quê e nem o conheça bem, ela tem certeza de que sua melhor chance de sobreviver ao deserto é ao seu lado. 

“A realidade era mais louca e aterrorizante e intoxicante, e mais incerta, do que eu imaginara. E eu poderia fazer parte daquilo. Se quisesse. Estava ficando tarde demais para pular fora daquela história, ou para arranca-la de dentro de mim.” 

Narrado em primeira pessoa, A Rebelde do Deserto conta a versão de Amani sobre tudo o que está acontecendo a sua volta. Ela é uma personagem forte, destemida e cativante. Talvez tenha virado moda criar protagonistas assim, mas entre as mocinhas indefesas e as bem resolvidas eu fico com a segunda opção. Os personagens secundários não ficam atrás. Foram bem construídos e possuem personalidade. Achei Jin bastante misterioso, mas, assim que descobri o porquê, fiz as pazes com ele. O que vocês me dizem de um vilão sádico-militar? Pois é, Naguib me fez um bocado de raiva. Os “rebeldes” Bahi, Shazad, os gêmeos superfofos Maz e Izz e até a implicante da Hala ganharam meu coração! A trama é original, e bem desenvolvida, e me prendeu até o final. Eu, que estou tentando me desvencilhar de séries, me encontro aguardando, ansiosa, o segundo volume da trilogia. 

A edição está linda! A capa com detalhes dourados me lembrou “As mil e uma noites”. A diagramação é simples e a revisão e a tradução estão de parabéns. São trinta capítulos razoavelmente curtos, folhas amareladas e letras numa fonte razoável completando a equação perfeita para uma boa leitura. A Editora Seguinte simplesmente arrasou! 

A ambientação é mágica: deserto e seres míticos, como, Djinnis, Buraqis e Carniçais, fazem parte do vasto universo criado pela autora, que nos proporciona uma viagem pela mitologia árabe. Se você, assim como eu, só conhece gênios que saem de lâmpadas e concedem três desejos, está na hora de reavaliar os seus conceitos. No livro, aprendemos quem são esses seres, como surgiram e a visão de cada povo sobre cada um deles, não é o máximo? Me peguei procurando no Google sobre mitologia árabe algumas vezes e querem saber o que eu achei? É linda e pouco conhecida, daí a originalidade da história. 

Mas não é só isso caros leitores: o enredo é muito mais do que ação e mitologia árabe. Envolve política (Sim, política!), disputa de poder e também aborda a questão da submissão das mulheres, de como elas envergonhavam os pais simplesmente por nascerem na condição de mulher e de como eram tratadas por seus maridos. Bem absurdo, não? E pelo visto tem mais coisa boa vindo por aí. Segundo a autora, ela está trabalhando no segundo volume da trilogia, que está previsto para ser lançado em 2017 e, dessa vez, o cenário será o próprio palácio do Sultão.

Sobre esperar o segundo livro ser lançado em 2017...
E aí, já leu o livro? Gostou? Se não leu, fica a dica. A leitura é mais do que bem recomendada. Peguem a mala, ops!... o livro e boa viagem!

Pisciana, 2.6, humor de 60, dramática, apaixonada por livros e animais.

Instagram: @deebritoo

13 Comentários
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Mari Scotti
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16 de junho de 2016 19:35 delete

Oi Diana! Eu ainda não li, não tinha interesse desesperador, mas agora ficou, porque você me fez rever minha lista de prioridades! Adorei saber que tem mais da cultura e lendas árabes, que explica os gênios e muito mais coisas! Ai quero ler! E concordo, tudo o que vc falou da a equação perfeita para um livro que eu tenho certeza que vou amar!
Obrigada pela dica!
Bjs, Mari

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16 de junho de 2016 21:41 delete

Hum... gostei de tudo, da originalidade dá obra, da descrição dos personagens, da opção de ser uma protagonista forte e não outra "Bella" kkkkk
Só ando que nem vc, correndo de séries. O problema é que parece que as melhores obras tem sequências.
Esse ano prometi para mim que não começaria outra, mas colocarei essa na lista. Só para não perdê +lá de vista.
De qualquer forma, gosto de esperar a coleção ficar completa para começar.
Excelente dica! Anotada.

>> Vida Complicada <<

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17 de junho de 2016 09:49 delete

Oiii Diana, tudo bem?
Eu estava bem apaixonada pela obra, não vou negar. Mas, me desanimou muito em saber que possui outras obras, eu odeio esperar para completar e nunca compro o resto. Se for para começar esperarei todos os lançamentos huahaua
Beijinhos

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17 de junho de 2016 14:07 delete

Olá Diana,eu gostei bastante do enredo, da premissa, dos personagens. Gosto de protagonista forte também, bem resolvida e que sabe o que quer. Já coloquei o livro na minha lista de leitura.
Parabéns pela resenha.
Beijos,
www.embarcandonaleitura.com.br

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17 de junho de 2016 18:11 delete

Oi Diana! Amei sua resenha e me apaixonei pelo livro, através das suas palavras. Parece ser um livro bem envolvente. Ainda não li nada sobre essa temática, mas parece ser muito bom e assim como vc, também gosto de mocinhas bem resolvidas e destemidas, e sabendo que essa é eximia em tiro, já fico imaginado o quanto o enredo surpreende!
bj

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Sil
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18 de junho de 2016 11:27 delete

Olá, Diana.
Eu vi esse livro na livraria e me apaixonei pela capa. Só não comprei porque não é livro único e não gosto de ler antes de ter todos lançados aqui. Mas vou ler sim porque ele tem tudo o que eu gosto em um livro, mitologia, fantasia e protagonista forte hehe. Mesmo estando na moda hehe.

Blog Prefácio

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Neyla Suzart
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19 de junho de 2016 07:34 delete

Oi Diana! :)
Tenho visto muita gente falando super a respeito de A Rebelde do Deserto e estou muito curiosa a respeito dele. Confesso que não achei o enredo tãaaaao original, mas o fato de ter uma mocinha forte super me chama a atenção. Mocinhas frágeis e sem iniciativas geralmente me deixam nervosa. E acho que, pela trama, a mocinha precisava ser forte.
O cenário deve ser lindo mesmo, acho que nunca li nada que se passa em desertos. Espero gostar quando ler. ;)
Beijos

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D e s s a
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19 de junho de 2016 19:47 delete

Oi Diana, tudo bom?
Apesar do título meio que mostrar isso, nunca passou pela minha cabeça que era da mitologia árabe, rsrs. Nunca li nada dessa mitologia, então fiquei bastante curiosa para conhecer a história. Ainda mais sabendo que tem política no meio, deve ser uma leitura maravilhosa e rica. Gostei da sua resenha!
beijos
www.apenasumvicio.com

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19 de junho de 2016 20:57 delete

Helloo, Diana! Tudo numa nice?!
Então, eu li esse livro porque simplesmente tive vontade e porque gosto de fantasia, mitologia e quando o autor explora culturas diferentes. Ele estava me implorando para eu gostar dele, mas no final não foi o que eu esperava. Leio MUITOS títulos de fantasia e esse me pareceu um tanto quanto fraco. O enredo é bom em certos aspectos, a mitologia é maravilhosa, sério, nas partes que a protagonista falava sobre a cultura e todas as coisas que envolviam os Djinns - eu já conhecia um pouco desses seres mitológicos - meus olhos brilhavam e eu meu atentava mais, como se estivesse ouvindo uma boa contadora de histórias. Mas algumas situações no livro me incomodaram bastante e achei um pouco fraco. Todavia eu não deixo de indicar o livro, a catarse não funcionou comigo e eu não apreciei tanto quanto queria, mas outras pessoas podem gostar como já que gostaram. Cada estória alcança uma pessoa de forma diferente.
Beijin...
Pieces of Alana Gabriela

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PorredeLivros
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20 de junho de 2016 08:55 delete

Oi, Mari! Leia, acho que você não vai se arrepender! :)

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PorredeLivros
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20 de junho de 2016 08:56 delete

Oi, camila! Também estava correndo, mas acho que a continuação desse livro eu vou encarar! :)

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Karla Samira
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20 de junho de 2016 09:30 delete

Olá! Adoro esse tipo de história que envolve política e personagens femininas bem resolvidas e à frente da sociedade em que vivem! Não sei muito sobre a mitologia árabe, mas tenho vontade de aprender um pouco. Me pareceu um ótimo livro, vou procurar para ler. E concordo com você: esperar pelo próximo volume daquela série de que tanto gostamos é muito ruim!
Beijos!

Karla Samira
http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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Nati Rabelo
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22 de junho de 2016 01:11 delete

Oie!
Esse livro tem uma capa belíssima e dá vontade de ler só por isso. Mas tudo isso de fantasia, se passar num deserto, ter algo sobre política e ainda ser uma série só me afasta da vontade de le-lo.
Mas parabéns pela resenha bem construída.
Beijo

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