Resenha: Esta terra selvagem, de Isabel Moustakas

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Literatura nacional; Suspense | 118 páginas | Companhia das Letras | Classificação: 5/5 | Ofertas
João é um repórter policial que trabalha num renomado jornal paulistano. Hoje, sua vida não tem nada de muito interessante, pois, aos 32 anos, ele já coleciona um casamento fracassado e não fez nada de muito relevante em sua vida profissional. Tudo isso muda quando ele se envolve na investigação de um crime.  

Marta foi vítima de um crime brutal: seus pais foram assassinados, e ela, após a morte dos pais, foi abusada das piores formas pelos criminosos. Ela nunca havia falado nada com a imprensa. Porém, após contar tudo em detalhes ao João, ela tira sua própria vida. Após esse acontecimento, o repórter vai atrás de respostas que, consequentemente, irão leva-lo a um grupo de criminosos racistas que possuem algo muito peculiar: coturnos pretos com cadarço verde-amarelo. Quando a intolerância e o ódio tomam conta de uma cidade, o resultado é, digamos, assustador.

Com uma trama ágil, violenta e com direito a uma escrita cinematográfica, Isabel Moustakas estreia seu romance de maneira excelente, trazendo temas importantes e mostrando-nos as consequências desses do preconceito na sociedade. Apesar de ser uma história de ficção, essa história pode ser, facilmente, um exemplo da nossa atual sociedade em que discursos e atos de ódios estão cada vez mais presente em nosso dia a dia. Afinal, na realidade, o que falta é o respeito pelo próximo e mais que isso: aceitar que o outro é diferente, e isso não é motivo para ele ser apontado, violentado, etc.

Narrado em primeira pessoa, lemos tudo na perspectiva do João e, assim, estamos bem próximos de seus medos, da investigação, etc. Confesso que o relato e o suicídio de Marta me deixou perplexo com a brutalidade do crime e a capacidade dos criminosos. E diversas vezes me perguntei: o quanto a intolerância pode ser prejudicial na vida em sociedade. Talvez, por ser formada em direito, a autora teve tanto contanto - no sentido de relatos - com crimes (isso é uma suposição minha), que trouxe um pouco de sua experiência e, por isso, manteve a história com bastante traços de realidade. 

Um ponto bastante positivo foi a escrita da Isabel Moustakas. Eu achei o estilo de escrita dele bem cinematográfico, pois era como se o leitor estivesse vendo flash das cenas. Não em todas as cenas, só naquelas partes com bastante ação. Isso me surpreendeu bastante e a experiência com a escrita dela foi bacana.  

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

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