Resenha: Os robôs da alvorada, Isaac Asimov

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Mostrando um lado não tão explorado nos livros anteriores, em Os robôs da alvorada, Asimov nos apresenta um Elijah Baley mais humano e mais maduro. Com 45 anos, agora, Elijah terá uma grande e difícil missão. Neste terceiro e último livro da série Robôs, Baley é enviado a Aurora, um mundo exterior superdesenvolvido, para desvendar mais um crime: um roboticídio. Aparentemente um crime fácil de desvendar, mas há um grande problema: a vítima não é qualquer robô, mas, sim, um robô humaniforme. Um dos poucos criados em Aurora, além do R. Daneel Olivaw.

A sociedade auroreana aponta como principal suspeito o Dr. Fastolfe, figura política e renomado roboticista, por 2 motivos: (1) Ele é o criador do robô e o único conhecedor do funcionamento do cérebro positrônico, além de alegar ser o único com conhecimento para realizar tal feito, mas nega ter destruído o robô; (2) Extremistas auroreanos querem expandir o território e conquistar novos mundos, mas, para isso, eles precisam de robôs humaniformes. Porém o Dr. Fastolfe não concorda. Acreditando que os extremistas o tirarão do poder, eles, consequentemente, conseguirão estudar e entender o funcionamento do cérebro positrônico e criarão robôs humaniformes. Outros fatores também foram importantes para desencadear essa "guerra" política: o futuro da humanidade.

O investigador tinha alguns suspeitos. Entrevistou todos. Criou suas próprias teorias. E foi, em muitas vezes, visto como uma pessoal mal educada. Em uma sociedade cheia de regras, como qualquer outra, é claro, Elijah teve que "pisar em ovos" para não colocar a investigação por água a baixo. 

Hoje, Baley está na posição C7, um posição bem alta na sociedade em que ele vive, e, com a resolução dos problemas anteriores, ele é considerado por muitos como um herói. Mas há um porém: devido a posição C7, ele não poderá cometer nenhum erro. Nesse caso, a cobrança será bem maior. Resolver o caso de robotício é essencial para manter-se nesse status e a não-resolução do caso terá como consequência um certo tipo de hostilidade vinda dos mundo exteriores. E a principal vítima dessa hostilidade será a Terra e os seres humanos. Parafraseando uma famosa frase: Quem poderá nos defender? Elijah Baley?

Para definir o último livro da série Robôs, eu usaria maturidade. Eu acompanhei a série desde do início. Em Os robôs da alvorada, me deparei com um Elijah Baley totalmente diferentes dos livros anteriores e gostei demais da experiência de ver o crescimento do personagem. Algo que estranhei um pouco foi o fato de que o robô Daneel Olivaw não ficou tão próximo de Elijah como nos livros anteriores, pois, nesse último livro, ele foi uma espécie de guarda-costas e não um parceiro de investigação. Um fator que me incomodou um pouco foi: Glaudia Delmarre, personagem do livro anterior. Ela, atualmente, vive em Aurora. Achei um pouco "forçada" a relação dela com Elijah. Em relação a outras questões: achei aceitável.

Um ponto bastante positivo, ao me ver, foi o fato de o autor nos mostrar algumas particularidades da sociedade auroreana, como, por exemplo, o sexo. Apesar de ter sido discutido em O sol desvelado, nesse último livro da série, Asimov nos mostra esse assunto por outro lado, um lado que me surpreendeu, inclusive.

Apesar do livro ser um pouco extenso, ele não deixa pontas soltas. Toda a investigação é bem estruturada, clara - no sentindo de não deixar o leitor com dúvidas - e bem construída. Eu me senti bastante satisfeito com o final do livro. Aliás: com a finalização da série de livros. Por dois motivos: (1) Finalmente entendi o grande problema entre robôs e humanos. Claro que já havia percebido isso antes, mas em Os robôs da alvorada, senti, com mais clareza, a diferença entre robôs conquistarem novos territórios para os siderais e humanos expandirem seus territórios fora da Terra; (2) Após ler livro, entendi o que quer dizer: robô humaniforme. Pra mim, era só características externas, mas vai além disso. Por isso, posso dizer que os robôs, em especial Daneel Olivaw e Giskard - esse só aparece nesse último livro - estão muito mais humanos.

Com certeza é uma série que recomendo muito. Asimov tem um jeito único de escrever. Acho que genialidade é um bom adjetivo para atribuir a ele. Ele criou histórias originais, personagens cativantes e inteligentes. E o melhor: me fez preferi um robô a um humano. Nunca pensei que isso aconteceria. E recomendo mais: leiam Eu, robô também da Editora Aleph. Foi  partir desse livro que comecei a gostar de Asimov. Enfim, acho que de 0 a 5, daria 4.8 para a série toda.

Cara de: terminei A série. A com letra maiúscula pra mostrar que não é qualquer série.

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

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