Resenha: A garota sem passado, de Michael Kardos

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Suspense; Romance policial |  304 páginas | Editora Arqueiro | Classificação: 3.5/5 | Ofertas 
Até que ponto o passado pode influenciar no futuro? Como será viver sem um passado, aliás: viver escondendo o seu verdadeiro passado? Essas perguntas podem ser respondidas por Meg Miller, hoje, 15 anos depois da tragédia que ocorrera em sua família, chamada de Melanie Denison.

Melanie vive num buraco – metáfora para dizer que ela vive bem escondida – na Virginia Ocidental. Ela mora com seus  “tios” Wayne e Kendra, que recebem, frequentemente, cartas da Polícia Federal informando que o autor da tragédia, Ramsey Miller, pai de Melanie, continua à solta. Por isso, ela vive escondida, seus tios sempre a proíbem de tudo. A garota sabe do esforço que seus tios fazem para protegê-la, mas, para ela, isso não é motivo para ter o controle total de sua vida. Ela só quer um pouco mais de liberdade. Cansada de viver escondida, com medo, tendo que se privar de várias oportunidades, ela resolve fugir e ir atrás do seu pai, buscar respostas, colocar um fim naquilo tudo e ganhar sua liberdade. 

“ – Quando eu tinha dois anos e meio – disparou ela -, meu pai matou minha mãe. Teria me matado também, mas eu escapei, e ele (Ramsey) também.”

Melanie nunca soube o que aconteceu na noite em que, quando criança, sua vida mudou, pois seus tios nunca conversavam com ela sobre o ocorrido. Depois de tanto tempo, com o caso, aparentemente, arquivado, havia alguém que ainda se importava com aquele caso. Esse alguém era o Arthur Goodale, um jornalista e blogueiro que, hoje, encontra-se numa UTI de hospital. Com ajuda de Arthur, afinal, ele parecia ser a pessoa que mais sabia sobre o caso, investigações e afins, Melanie perceberá que encontrar o seu pai não será uma tarefa fácil, além de descobrir que, às vezes, é melhor deixar o passado onde ele está: no passado.

Defino esse livro da seguinte forma: uma história curiosa e cheia de mentiras. Michael Kardos conseguiu, com grandeza - é importante salientar isso - enganar o leitor do início ao fim, ou quase no fim. Posso dizer que não me surpreendi, pois acabei descobrindo antes do tempo, mas a justificativa foi: bastante meia-boca. Para mim, o autor poderia ter trabalhado mais no final.

O final pouco aceitável foi um dos poucos - ou o único - problema(s) desse livro, pois o mais divertido foi o autor enganar o leitor e "brincar" com os nossos sentimentos. Diversas vezes, ficava super "P da vida" com Ramsey, outra hora com a Melanie Denison. E me perguntei: devo gostar de quem? De ninguém. Porque você iria se sentir numa montanha russa de emoções de qualquer forma.

Com os capítulos alternados entre passado, na visão de Ramsey, e futuro, visto sob a perspectiva de Melanie, A garota sem passado tinha tudo para ser O livro, porém o o autor não conseguiu "segurar a onda" ou, então, a minha expectativa que estava alta demais - vai saber, não é? Mas isso não é motivo para não recomendar, pelo contrario: a história é de qualidade. Só esqueçam que tem um final que deixa o leitor querendo mais um pouco. E outra: tem uma brecha para um segundo, mas não sei se acho legal continuar a história. Enfim, só leia-o e perceba o quanto é importante a gente saber dos dois lados de uma história.

" - [...] Às vezes tenho a impressão de que não tenho passado."

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

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