O cântico para leibowitz, de Walter M. Miller Jr.

14:05 3 Comments A+ a-


Um livro dividido em 3 partes. A cada parte o leitor é mergulhado num determinando tempo, seja ele antes, depois ou no do Dilúvio do fogo. Uma história emocionante que fará você querer saber tudo sobre a Ordem Albertina de São Leibowitz e conhecer todos os monges que tentam guardar o conhecimento em meio a ignorância humana. 

Após ter sido quase aniquilada por um holocausto nuclear, a humanidade mergulha em desolação e obscurantismo, assombrada pela herança atômica e pelo vazio de uma civilização perdida. Os anos de loucura e violência que se seguiram ao Dilúvio de Fogo arrasaram o conhecimento acumulado por milênios. A ciência, causadora de todos os males, só encontrará abrigo na Ordem Albertina de São Leibowitz, cujos monges se dedicam a recolher e preservar os vestígios de uma cultura agora esquecida. Seiscentos anos depois da catástrofe, na aridez do deserto de Utah, o inusitado encontro de um jovem noviço com um velho peregrino guarda uma surpreendente descoberta, um elo frágil com o século 20. Um foco de luz sobre um mundo de trevas. Cobrindo mil e oitocentos anos de história futura, "Um cântico para Leibowitz" narra a perturbadora epopeia de uma ordem religiosa para salvar o saber humano. Marco da literatura distópica e pós-apocalíptica, vencedor do prêmio Hugo de 1961, este clássico atemporal é considerado uma das obras de ficção científica mais importantes de seu tempo.

Este livro é dividido em 3 partes. Fiat Homo, a primeira, ambienta o leitor neste mundo depois do "Dilúvio de Fogo", em que o mundo ainda está caótico - mesmo tendo passado mais de 600 anos deste evento -, a partir da visão da Ordem Albertina de São Leibowitz - que ainda não era santo, mas estava em vias de canonização.

Esta primeira parte, então, apresenta um pouco o clima de hostilidade, que está muito presente ao longo do livro, o medo das tribos selvagens, além do esforço para canonizar Leibowitz e preservar o pouco material que se tinha. Neste primeiro momento, é apresentado o Irmão Francis, que, durante o jejum da Quaresma, descobre novos documentos enterrados que parecem ser do próprio Leibowitz, auxiliado por um misterioso peregrino (talvez seja o santo!?). Na aflição de saber se na Nova Roma irão aceitar ou não esses documentos como verídicos.

A segunda parte é nomeada "Fiat Lux", sugestiva para esse momento que explora a fase em que já aparecem sinais de uma volta do interesse pela ciência. Ambientada 600 anos depois da fase anterior, esta ainda mostra a existência dos povos selvagens, entre eles os que foram afetados fisicamente pela radiação do Dilúvio de Fogo. O fragmento da história contado desta vez é a ida de um cientista em ascensão para a Ordem de São Leibowitz com a função de procurar nos documentos algo que possa ajudá-lo nos seus estudos. Este homem também é sobrinho de Hannegan, um líder que, a fim de ter mais terras, está pra entrar em batalha nos arredores da abadia, o que pode prejudicar o funcionamento da Ordem. Além disso, o abade Dom Paulo suspeita que o cientista também foi para lá com intuito de verificar se a abadia seria útil ou não para ser uma espécie de forte, uma vez que aguentou todos os ataques anteriores para destruir os documentos que ela guarda. A partir disto, seguimos para a última parte.

Denominada "Fiat Voluntas Tua", esta, pra mim, é a melhor parte. Desta vez, a ciência já chegou ao nível de desenvolvimento de antes do Dilúvio e ultrapassou-a. Já é comum inclusive o conhecimento de outros planetas e a possibilidade de se migrar para eles, obviamente os instrumentos de defesa dos Estados estão também mais aprimorados, o que traz aquela aflição discutida no começo do livro de volta. Posso dizer que essa foi a parte mais instigante do livro; a angústia ao longo das páginas é maior, o sentimento de incapacidade diante da situação é grande e deixa o leitor apreensivo nas últimas páginas; também as reflexões vêm mais fortes e o pessimismo, que é constantemente afastado nesta luta católica de ter fé, acaba aos poucos aparecendo no livro.

A última parte foi também a parte que trouxe o personagem que mais me apeguei: o abade Zerchi. A construção do personagem é maravilhosa, fazendo parecer que construí-lo somente em um terço do livro não tenha sido problema. Ele tem muitas aflições, opiniões que eu, particularmente, não concordo, mas eu o compreendi e torci para que seus planos dessem certo. Aliás, é interessante apontar para a personalidade dos 3 abades do livro, cada um muito diferente do outro, mas todos com um inegável amor pela Ordem, que lhes acarretou muito estresse e angústia.

É bom notar também que este livro não tem um personagem principal na figura de um indivíduo, ao contrário, ao longo das 3 partes são apresentados novos personagens que tomam o lugar de destaque na narrativa (mas os anteriores não somem simplesmente, continuam a ser citados como pessoas históricas mesmo), porém todos eles têm algo em comum: estão relacionados a esta Ordem, criada com a função principal de guardar documentos, textos científicos e outros que pudessem ajudar a manter vivo o conhecimento humano; porque, por conta do Dilúvio de Fogo, muitos acreditaram que o conhecimento era prejudicial e organizaram-se para acabar com eles, não sobrando assim muito material escrito de referência, inclusive livros!

Confesso que em alguns momentos achei a leitura cansativa, porque o autor traz muitas informações que nem sempre são explicadas de modo muito didático - o que é boa para o livro fluir, mas dificulta no entendimento, às vezes. Mesmo assim, não é nada que tire o valor deste livro. Se você quer só entretenimento, leia! Se você quer também um pouco de reflexão sobre a essência do ser humano e a ciência, também pode ler! É de uma leitura tranquila, excetuando o problema das informações, e o ritmo só vai aumentando cada vez mais ao longo do livro, criando uma grande expectativa para o final, que não é lá surpreendente, mas me agradou.

Sobre a edição: Facilitou muito a leitura. O livro tem diversas passagens em latim, além de remeter muito ao universo católico. Para isso, o livro contém um Glossário das frases em latim e um para explicar alguns termos específicos, entre eles os que remetem à Igreja, que ajudou bastante. O papel é daquele mais amarelado, que deixa menos cansativa a leitura em minha opinião. Também não encontrei erros crassos de digitação ou revisão. Enfim, edição muito boa da Aleph. Por isso, tenho um relacionamento sério com essa editora. <3
Crédito às fotos desta publicação

Pernambucano, blogueiro e bailarino nas horas vagas. Para ficar mais próximos dos livros, escolheu ser revisor textual. Instagram/Twitter: @Jadsongomees

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Helana Ohara
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16 de junho de 2015 20:07 delete

Este livro desse ser interessante e bem refletivo!


Beijinhos, Helana ♥
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PorredeLivros
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17 de junho de 2015 10:31 delete

Uma leitura super válida para quem curte ficção científica, Helana. :)

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17 de junho de 2015 22:09 delete

Olá :)
Que diferente! Nunca ouvi falar, mas achei bem legal a premissa. Gosto muito de distopias, embora costume ler coisas do universo mais juvenil e até mesmo, rs, bobo. Esse parece ser mais inteligente e reflexivo mesmo. Eu só precisaria ter paciência, pois livro sem emoção e agilidade me irrita um pouco. Boa dica! :)

ssentrelivros.blogspot.com.br

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