[Resenha] Andoides Sonham Com Ovelhas Elétricas - Philip K. Dick

15:30 6 Comments A+ a-


Em 2019 ao fim da Guerra Mundial Terminus, a terra foi coberta por uma poeira cinza que é capaz de matar e deformar seres humanos. Todos emigraram para outros planetas, Marte é um dos principais. Mas ainda há humanos vivendo na terra, na esperança de que um dia ela volte a ser o que era antes de toda a Poeira invadi-la. Rick Deckard é um caçador de recompensas, ele caça androides que matam seus 'donos' nas colônias interplanetares e voltam para a terra em busca de uma vida sem servidão. Porém, por terrem infligido uma lei universal de não matar, esses Andys são caçados, testados e mortos. Como caçador de recompensas, seu maior sonho é possuir um animal de verdade, nada elétrico, nada de cópias falsas. Com a devastação da terra várias espécies de animais foram extintos, por tanto, possuir um animal indica grande status. Rick vê sua oportunidade surgir quando 6 andys emigram ilegalmente na terra. Em sua busca implcável pelos androides Rick começa a questionar muitos conceitos pré-concebidos sobre humanidade, máquinas e sentimento.

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas foi escrito 1968 e é considerado um clássico dentro do gênero Ficção-Científica, e na minha mais humilde concepção não entedia a razão disso, agora eu entendo. Apesar de ter todos os elementos que o caraterizam como ficção científica, notamos que Dick vai muito além na sua escrita. A reflexão que o livro trouxe, foi algo muito próximo ao sentimento que se tem ao terminar de assistir o novo Robocope. Humanos não são mais os únicos seres do mundo além dos animais. Os androides povoam o universo, e de uma forma assustadoramente parecida
 com os seus criadores. Eles são capazes de falar, comer e tudo mais, só não são capazes de sentir. Seus sentimentos são todos auto-implantados para que fique cada vez mais difícil detectar a diferença entre humanos e máquinas. Porém, de acordo com a jornada do Sr. Dekard, de apenas um dia, ele descobre que isso pode estar totalmente errado.
"Que tipo de mundo é este, ele se perguntou, em que uma androide vidfone para um caçador de recompensas e oferece ajuda?"
Rick Deckard é um personagem daqueles que não se destaca por sua beleza, ele na verdade não se destaca por nada, ele é apenas um meio para reproduzir a estória, o que é bastante interessante e diferente de todos os outros escritores que já li. Philip K. Dick não parece completamente apaixonado por seu personagem, o trata apenas como alguém normal. E isso, talvez, seja o motivo do livro ser tão brilhante em tantos aspectos. Pois, nota-se no início da trama que Rick é personagem tão comum aos outros que seu único sonho é apenas ter um animal de verdade, tudo que qualquer outro ao seu redor realmente almeja. Lembro-me bem, e preciso ressaltar isso aqui, que exatamente no meio da trama, Rick tem um grande pulo em relação ao que é no início do livro, o que mostra a qualidade da escrita do autor, visto que ele faz seu personagem evoluir, mesmo que a trama se passa em apenas um dia de sua vida. Em suma, Rick não é nada desses mocinhos que vemos, na verdade, nem sei se posso o categorizar como mocinho.

A narrativa do livro é intercalada entre Rick e um outro personagem, Isidore. Os pontos de vista são relatados em terceira pessoa, dando ao leitor maior amplitude dos fatos. Além deste personagem, vários outros passam e viram importantes durante a trama do livro, tal como Rachael Rosen, que vem a ser, talvez um dos personagens que definem o final da série para cada leitor. Pra mim, ela foi um ponto marco, na verdade não ela em si, mas uma de suas atitudes. Voltando a Isidore, que é considerado um cabeça de galinha (termo usado para designar humanos que foram afetados pela Poeira e ficaram com problemas mentais), a princípio é uma eterna incógnita durante a leitura, entretanto o engraçado são as pequenas descobertas que o leitor vai fazendo sobre o que o autor que com a intercalação dos pontos de vista entre esses dois personagens. A costura que ele tesse no final da trama entre essas duas vidas chega a ser engraçada e dá a impressão de que poderia ser totalmente relevante, só que não é!
"Os andoides tinham, entretanto, e disso ele sabia, um desejo inato de passar despercebidos."
Apesar de ser tão, mas tão afirmativo quanto a ideia de que androides não sentem, a sociedade está cercada por eles, poderia até afirmar que ela está dominada por eles, e se isso não for o que acontece atualmente... Claro que o nível é diferente, mas corrija-me se eu estiver errada: seu celular não está a mais que 100 metros de distância de você. Em Andoides Sonham Com Ovelhas Elétricas, Rick vai descobrindo que a empatia, que os humanos se vangloriam por ter, e por ser a única coisa que os distingue dos andys, podem não ser assim mais tão única. E se isso aconteceu, então o que é vivo e o que é máquina?

Não sei como conseguir terminar esta resenha para que ela fique tão curta, visto que, ela aborda assuntos tão abrangentes e de uma certa forma é tão atual que chega a ser assustador. O que mais chama atenção do leitor em toda a narrativa é, sem sombra de dúvidas, o desfecho do livro, que se torna uma infinita incógnita para quem o está lendo. E, apesar de deixar várias incógnitas Philip Dick consegue terminar o livro sem que restem pontas soltas ou fatos inconcluídos, o que em minha opinião pode deixar alguns leitores frustrados. Ele deixa que os pensamentos e suposições de quem o lê, o comam vivo, ou não, como foi o meu caso. O livro é curto, por tanto a leitura é rápida, mas muito profunda.

A edição da Aleph é uma coisa linda de se ver. A capa tem uns detalhes que só podem ser visto pessoalmente. A fonte é excelente, tal como a revisão, o livro também conta com um prefácio e um posfácio que ajuda o leitor a situar-se no mundo de Dick, como foi o meu caso. Além de um material inédito maravilhoso. Não tenho não dar 5 estrelas para esta obra.

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

6 Comentários
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28 de junho de 2014 21:15 delete

Gostei da resenha Ray. Parece ser uma distopia bem interessante e intensa. Beijo!

www.newsnessa.com

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Filipe Laia
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29 de junho de 2014 16:31 delete

Ray a única distopia que eu li até hoje foi Jogos Vorazes (única que me lembro no momento), e já esta na hora de procurar outras. Acho este livro do Dick uma excelente dica por ser um livro curto porém bem profundo.
Porém não sei se gosto de finais com incógnitas....
Ótima resenha, bjss
www.booksever.blogspot.com

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29 de junho de 2014 17:02 delete

Que capa bacana! Deu até uma coisa nos olhos hahahah.
Não conhecia o livro, mas se é distopia já tem meus créditos, dica anotada e com sua resenha super detalhada espero ter a oportunidade de ler em breve!

Beijos Joi Cardoso
Estante Diagonal

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~ Kharchenko
AUTHOR
29 de junho de 2014 20:58 delete

Tenho maior curiosidade de ler esse livro <3
XOXO
onthislastday.blogspot.com

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~ Kharchenko
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29 de junho de 2014 20:58 delete

Tenho maior curiosidade de ler esse livro <3
XOXO
onthislastday.blogspot.com

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1 de julho de 2014 20:50 delete

Eu to com esse livro aqui para ler e você sabe como essas coisas funcionam. kkkkkkk enfim!! Tenho a impressão de que vou gostar muito da escrita desse autor, ele escreveu os contos de ficção que mais gosto. Vou ler muito logo.

Bjs, @dnisin
www.seja-cult.com

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