[Resenha] Tabuleiro dos Deuses - Richelle Mead

21:48 8 Comments A+ a-


Mae está prestes a descobrir que seu mundo pode ser virado de cabeça para baixo sim. Quando a pretoriana age por impulso agredindo um membro de sua equipe adversária no funeral de Porfírio, jamais imaginaria que iria ser mandada para uma província em busca de um exilado. Este exilado em questão é Justin March um doutor especializado em mitologia, e agora o governo que o exilou precisa de seus serviços. Quando Mae se dá conta que foi colocada de babá de Justin já é tarde demais para correr de uma trama que envolve mortes, mitologia, deuses e muitos segredos. Num futuro pós-Mefistófeles, um vírus que foi capaz de destruir países inteiros, Mae e Justin precisam descobrir antes da próxima lua cheia quem está sendo responsável por uma série de assassinatos que têm muito em comum, mas que os pontos não batem. E enquanto eles tentam desvendar essa onda de crimes, vão tendo mais e certeza de que algo sobrenatural está acontecendo ali, tal como a química entre eles que não para de crescer.
"Eu mandei vocês pararem de falar de deuses depois que voltássemos. Já tenho problemas demais.Não falar sobre uma coisa não vai fazer com que ela desapareça."
Quando comecei a ler Tabuleiro dos Deuses fiquei muito perdida. Adoro a Richelle Mead e fui com muita sede ao pote achando que este seria mais um livro de leitura fácil e fluída, mas me enganei. Apesar do livro ser maravilhoso, ele exige do leitor um certo nível de conhecimento, pois ele nos leva ao futuro que na verdade nada mais fez que voltar ao passado em vários setores. A estória se passa na RANU, o que um dia foi o Estados Unidos e o Canadá, e o que agora é a maior potência mundial
 em todos os níveis. Não mais existe religião, já que foi graças a ela que o vírus Mefistófeles foi jogado no mundo. Todos os deuses foram banidos, o estado é o poder maior, as pessoas cultuam o estado, ser morador da RANU é uma honra louvável. O mundo foi dividido em castas, no topo da mesma encontramos os patrícios que eram os ricos antes do grande mal e ajudaram o estado a se reerguer, enquanto na base estão os plebeus. Para que nunca mais houvesse um vírus que destruíssem tão largamente a população o governo miscigenou as raças, não mais existe divisão por cores.
" - Eu estava errada. Tem um Deus. E esse é a própria RANU. Todo o esplendor e beleza para gerar fascínio nos cidadãos."
Ao contrário da maioria da população Mae é uma Patricia que tem uma pontuação de imunidade altíssima, um 9. O que é incomum para seu tom de pele e cabelos loiros. Além de uma figura da alta sociedade ela é uma pretoriana, que são basicamente super soldados. Eles usam um chip no cérebro que alimenta os hormônios encontrados na corrente sanguínea os ampliando. No começo do livro, achei esse 'chip' bem chato, pois pensava que ele iria controlar a Mae, já que em vários momentos ele fala o quanto ele a faz perder o controle, porém lá na frente entendi que não era bem assim e que a função dele nem teria tanto destaque. Até o leitor começar a entender isso, ele sofre para pegar a estória. A autora só começa a explicar muita coisa na metade do livro, ela optou por uma abordagem diferente das anteriores, usou os personagens para prender o leitor a principio, para só em seguida começar a introduzir os conceitos básicos daquele universo. O que não deu muito certo, pois faz o leitor se sentir um tanto quanto perdido na narrativa.
" - A verdade é que quando você expulsa os deuses do mundo, eles acabam voltando, com força total. [...] Nós somos peças num tabuleiro, dr. March, e alguns de nós são mais poderosos que os outros.
Ao apresentar a estória lá em cima não cheguei a citar uma das outras protagonistas do livro: Teresa Cruz, mais conhecida como Tessa. Ela é uma Panamese, lugar para onde Justin foi exilado, e o pai dela é um grande amigo desse, então ele leva Tessa para a RANU como uma forma de agradecimento ao pai dela. Essa personagem é bem peculiar, ela não tem nenhum envolvimento com o Justin fisicamente, contudo ele se vê muito nela. Ela é esperta e mostra ao leitor um ponto de vista diferente do deslumbrado de Justin pela RANU. O livro é narrado em terceira pessoa, mas acompanha o ponto de vista desses 3 personagens.
"Os alunos ali eram iguais a todas as pessoas que ela via na RANU: confiantes, determinados e muito convencidos de sua superioridade sobre o resto do mundo. Tessa nunca teria esse jeito."
O Justin é inteligente, inteligente até demais, mas ele foi marcado por um Deus e tem dificuldade em gerenciar isso. Além de inteligente, ele é charmoso e tem algumas tiradas sarcásticas que nos faz rir pra caramba. Além de tudo isso, ele tem dois corvos morando em sua cabeça que dão pitaco em tudo que ele faz. É interessante ler esses diálogos entre eles. Justin é a chave para resolver esse caso, porque no passado algo o aconteceu.

O Tabuleiro dos Deuses é muito bom, mas o leitor precisa ter persistência e não desistir dele. Após se engajar na leitura o leitor fica enfeitiçado por aquele universo e fica curioso para saber os segredos do passado de Mae e Justin. A leitura do livro levanta críticas muito boas sobre religião, estado e poder. Além disso tudo, leva o leitor a um tempo onde o mundo era governado por vários deuses e esses batalhavam por seguidores. Apesar de ser uma boa leitura, não é nem de longe o melhor livro da Richelle Mead, mas o final dele é choque e o leitor se vê louco para sua sequência, não se pode negar que ela tem o poder de deixar o leitor ávido por mais. O Classifiquei com 3,5 estrelas. A diagramação interna é muito boa, apesar da capa ser de um material bem maleável e frágil, e as letras internas serem muito pequenas.

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

8 Comentários
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Flávia
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10 de maio de 2014 22:20 delete

O livro parece ser interessante, e já o vi por aí, porém não me senti tentada a lê-lo, apesar da capa ser bem bonita, enfim gosto de livros que fazem o leitor precisar de persistência para acompanhar a história, porém no momento estou á procura de algo mais leve.

thoughts-little-princess.blogspot.com

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10 de maio de 2014 23:59 delete

Oie meu único contado com esta autora esta sendo em academia de vampiros, mas com sua resenha fiquei bem curiosa, na verdade, não sabia sobre este livro.

Mas pelo que senti tenho que estar em um estado de espirito bom para le-lo por abordar algo como religião e afins ^^

Beijos Joi Cardoso
Estante Diagonal

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Filipe Laia
AUTHOR
11 de maio de 2014 00:14 delete

Ainda não tive contato com essa autora, mas parece ser bacana o livro dela. As vezes dá vontade de ler livros mais complexos e não tão simplesinhos como alguns YA.
Ótima resenha!
www.booksever.blogspot.com

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Luiza
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11 de maio de 2014 00:29 delete

Já li toda a saga de Vampire Academy gosto da autora então claro quero ler esse livro.
Bjs
http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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Lia Christo
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11 de maio de 2014 01:16 delete

Oi Ray, ainda não conhecia este livro. Gosto da autora, mas lendo sua ótima resenha deu pra sentir que não é um tipo de história que eu goste, ou que vá me prender. Vou anotar a dica, mas não sei quando vou ler. Bjus
Lia Christo
www.docesletras.com.br

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11 de maio de 2014 18:46 delete

Oie
Pela sua classificação já fui ficando toda tristinha, mas lendo a resenha entendi o motivo da nota. Estou postergando a leitura desse livro justamente por exigir um certo nível de entendimento, e no momento estou preferindo histórias leves e despretensiosas. Mas por ser da diva Richelle, óbvio que vou dar uma chance.Agora pelo menos já tenho noção do que vou encontrar.
bjos
www.mybooklit.com

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11 de maio de 2014 22:05 delete

Oi Ray,
Estou numa fase de paixão absoluta pela Richelle, inciei VA e já estou indo para o sexto livro, quero ler tudo que ela publica.
Eu achei linda a capa de Tabuleiro dos Deuses, mas vi muitas pessoas dizendo que era uma leitura difícil. Vou esperar sair todos os livros aqui para começar a ler essa série, tenho outras dela na frente.
Super beijo.
Katielle

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Carol Teles
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11 de maio de 2014 23:53 delete

Será uma das minhas próximas leituras. Estou coçando por ele!
Eu leio bastante de Richelle, e gosto bastante da danada. E lógico que estou curiosa nela escrevendo uma distopia.
Pena que não foi tãooo bom para você. :/
Doida para saber o que eu vou achar.
Amei seu espaço!

bjus
terradecarol.blogspot.com

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