[Resenha] Forbidden - Tabitha Suzuma

16:00 14 Comments A+ a-

Deixe os preconceitos de lado, pegue uma caixa de lencinhos e se delicie com a leitura deste incrível livro!


Maya e Lochan estão condenados. Filhos de uma mãe alcoólatra, o pai os abandonou anos atrás e com três irmão para criar. Desde muito pequenos eles se consideram alma gêmeas, melhores amigos, companheiros inseparáveis. Entretanto, quando eles crescem e se tornam adolescente o que eles menos queriam e esperava aconteceu: Apaixonaram-se um pelo outro. Então, por motivos óbvios eles reprimem e renegam este amor por muito tempo, até que a pressão explode e eles não mais pode renegar o que está acontecendo entre eles. E ao mesmo tempo que eles precisam lidar com esses sentimentos precisam lidar com a rotina de pais de família, problemas na escola, bem-estar das crianças, problemas financeiros e Segurança Social. Tudo isso não parece nada quando eles estão juntos, longe do julgamento das pessoas e de seus preconceitos, porém o amor entre eles vai ser testado constantemente e mesmo quando tudo parecer bem, nada na vida deles foi tão bom para haver um momento de paz.

Comecei a ler este livro por indicação da Vivika, quem foi a mesma pessoa que me indicou O Cavaleiro de Bronze, então eu já deveria saber que no mínimo o livro iria me emocionar e no máximo iria me deixar no chão, virar um dos meus livros favoritos e me fazer pensar além de todos as fronteiras. Bem, acho que não vai ser surpresa se eu disser que me aconteceu o máximo do máximo e que este livro extrapolou tudo que eu esperava. A obra traz um tema bastante diferente e delicado, afirmo que o tema é muito ousado  e diferente, mas de uma delicadeza sem tamanho que enlaça o leitor de uma forma tocante. Nunca tinha ouvido falar de um livro que aborde o tema amor, paixão entre irmãos, e isto foi uma onda refrescante em meio a um mar de leitura 'mais do mesmo'. Este é um Young Adult que tem realmente conteúdo para discussão, para levantar debates e ouso até rever leis. A cada página que o leitor vira deste livro ele vai entendendo que o romance vai além do romance, que vai além da vulgaridade, da amizade, dos laços sanguíneos.
“Não há leis nem limites para os sentimentos. Nós podemos amar um ao outro tanto e tão profundamente quanto queremos. Ninguém Maya, ninguém vai tirar isso de nós.”
Completa e totalmente denominamos os dois personagens principais como altruístas sem tamanho. Lochan e Maya abrem mão de tudo por seus irmãos: Kit, Tiffin e Willa. Tão altruísta que chega a dar raiva. Em certos momentos se é compreensível o tanto de altruísmo que vem deles, mas como somos apenas seres humanos cheios de defeitos desejamos que eles façam algo para os tirar daquele beco sem saída, que abram mão para poder ter um pouco de paz, tranquilidade. Talvez o único personagem deste livro que realmente hajam como seres humanos egoístas cheios de defeitos sejam seu irmão Kit e sua mãe. Kit tem um papel chave em toda a trama e que nos faz refletir sobre atos impulsivos. Já a mãe deles... sem comentários sobre o descaso da mesma para com seus próprios filhos e para com seus atos de hipocrisia no decorrer da trama.

Lochan é um estudante que tem um futuro brilhante pela frente, é inteligente, tímido, bonito e tem todas as notas que precisa para entrar numa das melhores universidades de Londres, mas ninguém sabe que em casa ele não é apenas um adolescente comum que precisa estudar para todas as provas e exames. Ele precisa ser pai, conselheiro e guia de seus irmãos mais novos, ele precisa ser muito mais que apenas o irmão mais velho. Lochan precisa ser a referência masculina. Tal como sua irmã Maya, que precisa fazer todas as tarefas de uma mãe para seus irmãos. Maya é doce, inocente e popular, mal se nota que ela sofre por todos estes problemas em casa. E ambos além dessas tarefas em comum têm seu amor compartilhado. E é engraçado como a autora descreve a rotina deles como a de um casal real, casados,com filhos e tarefas para dar conta no final do dia de trabalho.
"Isso é o que Maya quer, é isso que eu quero – lutar não adianta, só vai nos machucar. O corpo humano precisa de um fluxo constante de alimentos, ar e amor para sobreviver. Sem Maya eu perco os três. Morro lentamente."
No começo do livro o leitor se confronta com os costumes e regras da sociedade que vive, mas de acordo com o decorrer da trama, o amor aparecendo e mostrando que não é sujo, lascivo ou algo assim, o leitor passa a entender que eles são produto de uma situação que está fadada ao fracasso. E isso vai nos desesperando de uma forma triste, a gente espera que a qualquer momento uma onda leve aquele castelo de areia. Em uma parte do livro Maya questiona Lochan 'Será que se fossemos poupados de todo este sofrimento, estas circunstâncias, poderíamos ser normais?' O que Maya não entende até ali, é que eles são normais, apenas se apaixonaram por quem não deveria. Eles são alma gêmeas em corpos errados. Com certeza dei 5 estrelas a este livro e junto com as estrelas dei meu coração. Não posso começar a explicar como meu coração ficou destroçado e ao mesmo tempo vivo de ver que ainda existem estórias lindas assim por aí para serem lidas.

Longe de todos os preconceitos e rótulos o leitor passa a entender e aceitar aquela realidade, e quando falo assim, você pode achar que soa doente. Tenho um irmão e para mim isso soa doente, mas cada história é uma história e precisa ser vista de forma única. E o mais incrível aqui é: como as pessoas são capazes de abrir mão de TUDO, completamente TUDO pelas pessoas que amam de verdade. Esqueça tudo que a sociedade fala, recrimina e descrimina e se entregue a esta incrível leitura que irá explodir sua mente com novos conceitos e aceitação.

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

14 Comentários
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7 de maio de 2014 19:04 delete

Vc começa a ler "com um pé atrás" por curiosidade e tals...qdo termina está completamente envolvida com a estória e todas suas sólidas convicções se desmancham ao final das trezentas e tantas páginas!!
Resenha do coração Ray!!!
"e junto com as estrelas dei meu coração." <3
Recomendo, leiam!!! Se deixem ser confrontados!!! Leiam!!!!!!!!! ;)

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Amanda Alves
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7 de maio de 2014 20:37 delete

Caraca! Que história MASSA! Favoritei aqui pra ler futuramente, amei.

Beijos,
Amanda.
www.aloamiga.com.br

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Tuliane
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8 de maio de 2014 08:56 delete

A história para ser muito boa, esse eu quero ler.

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8 de maio de 2014 10:31 delete

OMG vc me torturou demais com essa resenha. Preciso urgentemente desse livro! ToT

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Yasmin
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8 de maio de 2014 15:19 delete

Eu já li alguns livros sobre incesto, mas nada que se aprofundasse muito no tema. Mas assim como você, tenho um irmão, então acho algo muito estranho, mas gosto de deixar a mente aberta para novos assuntos. Acho um tema bem ousado, isso sem dúvidas.
Beijos,
Yasmin
deitadosnagrama.blogpsot.com.br

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8 de maio de 2014 19:23 delete

Sinceramente esse livro não me chamou nem um pouco de atenção
Confesso que até coloco na lista dos que não pretendo ler
Pois isso soa muito estranho e não me atrai em nada, assim como historias de terror, que eu não gosto e evito ;)
Já estou seguindo *~

Beijos
@pocketlibro
http://pocketlibro.blogspot.com

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8 de maio de 2014 20:59 delete

Oie
Gente, essa resenha já explodiu com a minha mente rs no bom sentido, viu?
Não tenho irmãos do sexo masculino, mas só te pensar meu marido e minha cunhada (que é meia irmã dele) juntos, já me dá um troço sabe rs
Sei lá, eu acho inconcebível isso, mas só lendo para tirar minhas conclusões.
E agora vou ficar aqui na angústia da editora que comprou os direito do livro, lançar bem rapidinho.
Ótima resenha.
bjos
www.mybooklit.com

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8 de maio de 2014 22:35 delete

UAU! Ousadia é pouco, muito pouco. O incesto é um tema bem comum na cultura japonesa, por exemplo, é um tabu enorme em qualquer sociedade, essa autora no mínimo merece atenção por trabalhar com algo assim, algo bem diferente do que mercado literário está acostumado!

Interessantíssimo o livro e a resenha! rs

Bjs, Michele

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8 de maio de 2014 22:37 delete

Eu já quero ler esse livro a um tempão e sei que vou amar e me emocionar muito. Essa temática de irmãs que se apaixonam eu já li, se sabe, mas um deles eram adotivos, agora algo como Forbidden vai ser novo e to bem empolgada.

Bjs, @dnisin
www.seja-cult.com

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Vivika
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8 de maio de 2014 22:49 delete

Ah, Ray! <3
Cara, esse livro acabou conosco de uma forma que nada tinha conseguido antes (haja visto que 'O Cavaleiro de Bronze' tem o seu nível próprio de falecimento entre as leitoras HAHAHAHA) e a beleza com a qual a Tabitha retrata essa história não apenas emociona mas também nos mostra a grande (e grave) questão de até que ponto o amor pode ser considerado como algo errado e/ou proibido. Ae esta um livro que vale a pena, e te faz repensar em muitas coisas que consideramos como leis em nossas vidas!
Ótima resenha, more! E sempre que surgir estes livros baphos, eu te mando! HAUHAUHAUAHUAHUAH <3
Bjooos!

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8 de maio de 2014 22:59 delete

Oiii Michele, fui dar googlada e vi que o pai da Tabitha é japonês!
Dever ter influenciado na escola do tema neh??
Valeuu, bjs

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Tori Vega
AUTHOR
9 de maio de 2014 07:34 delete

Eu tenho esse livro ( mas ainda não li). Na verdade comecei a ler mas ai chegou outro que eu queria e deixei ele dele lado. ( mas não por não ter gostado, eu simplesmente esqueci! )
Muitas pessoas julgam esse livro pela temática e acabam julgando ( sem saber ) ser indecente. Acho que por isso Forbidden nunca foi lançado no brasil. Depois que eu ler "A Escolha" irei terminar de lê-lo.
Adorei sua resenha uma das melhores que li.
Bruna Maire - http://worldoftorivega.com/

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nathy gouveia
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12 de maio de 2014 22:01 delete

Gente.....me apaixonei!
tô cho-ca-da
adoro leitura com temas delicados feito esse e só pela sinopse e pelo que vc nos trouxe Ray eu posso dizer que já estou apaixonada!
tenho que arranjar tempo pra ler esse livro pra ontem!

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11 de fevereiro de 2017 16:37 delete

como a própria capa do livro diz: A gente só vai entender do que se trata; lendo. Não adianta ler comentários ou resenhas, que a ideia de incesto vai sempre incomodar e - infelizmente - impedir que alguns de nós aprenda mais sobre o ser humano. É curioso notar que não vi em lugar algum, mesmo no livro, qualquer menção a religião. O tema é abordado sob ética e moralidade, o que não diminui sua carga emocional; a revolução que faz com nossos princípios e cultura. No intuito de tranquilizar, posso garantir que a abordagem é extremamente sensível, a ponto de você desejar que ficcionalmente a autora encontre uma solução possível. Ninguém vai ficar escandalizado, propenso a correr para o confessionário de uma igreja.No máximo talvez fiquemos revoltados com o destino, com a isenção de culpa de alguns e sacrifício de outros. Recomendo, francamente, contra todos os medos que nos assolam.

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