[Resenha] Insígnia: A Arma Secreta - S. J. Kincaid

15:10 9 Comments A+ a-


Imagine que o mundo está travando a terceira guerra mundial, agora imagine que o elemento que caracteriza esta guerra é o contrário do que caracterizou as outras duas primeiras guerras. Nenhum assassinato é cometido, nenhuma vida é perdida, não há destruição. Quando o planeta chega no nível onde os recursos minerais já não podem suprir as necessidades humanas as Multinacionais entram em guerra para explorar os recursos de outros planetas, mas como travar uma guerra no espaço? Um universo de Realidade Virtual (RV) é apresentado, e muito bem recebido, pelos governos dos países, que usam jovens para combater em nome de um bem maior, entre si, no espaço, lutando para que seu 'país' tenha o direito de explorar os recursos que são encontrados nos outros planetas.

Insígnia foi meu livro de cabeceira por muito tempo, muito mais do que eu desejava, não que o livro seja ruim, muito pelo contrário, mas porque eu estava em semana de prova e cheia de trabalho. O livro, como contei acima apresenta ao leitor um universo de Realidade Virtual que no início fica um pouco complicado de se compreender, ou pelo menos foi pra mim, que não entendo quase nada de joguinhos, porém a autora supera essa barreira e nos faz ir compreendendo aos poucos como se estrutura a Guerra que está sendo travada no espaço através de RV. Os Estados Unidos são aliados da Índia, enquanto a Rússia é aliada da China, o que eu acho legal nisso é inferência que a autora faz com as outras guerras e comparando as diferenças, mas veja bem, não é porque não há morte, que essa guerra é 'saudável'. O ambiente mundial em que se passa a estória é hostil, cheio de conflitos indiretos e jovens que perdem, literalmente, sua juventude. O tema renderia uma discussão acalorada e um tanto tabu, pois há momentos no
 livro que notamos uma forte crítica ao sistema adotado pelos países, e Multinacionais, para manter a Guerra. E eu nunca vi uma autora criticar a própria obra tão bem quanto ocorre em Insignia.
"As Guerras não são mais entre países! As multinacionais usam exércitos pagos com o dinheiro do contribuinte para travar conflitos privados e vendem essa estratégia ao público vestindo-a com o manto do patriotismo."
Até aqui vocês notaram que eu não falei de personagem algum, porque entenda bem, apesar do Tom, que é o personagem principal, ser o personagem principal, o debate em cima dessa distopia para mim se virou totalmente para um futuro onde jovens-'máquinas' combatem. O tema é extremamente lindo e ao mesmo tempo inaceitável, e isso causa um fascínio na leitura. Sobre o Tom, eu posso dizer, que é tudo que eu esperava e mais um pouco. Ele é um garoto de 14 anos brilhante quando se trata de joguinhos, tão brilhante que sustenta seu pai com o que ganha através dessa prática. Ele vive de cassino em cassino com Neil, seu pai, que é um viciado em jogo que está sempre mais bêbado que sóbrio. A vida de Tom é tão inconstante quanto ele deseja que fosse constante, mas sua realidade não é aquela dos jovens que frequentam as escolas e jantam em mesas com sua família reunida. Após ser detido Tom frequenta uma escola em RV, isso mesmo, ele vai pra escola meio que através de um vídeo game, é estranho, porém ao ler a estória tudo se desenrola de forma assombrosa.

Quando o talento de Tom é descoberto e ele passa a integrar esse exercito de jovens que combatem no espaço, ele vê sua vida mudar radicalmente, para melhor, e posso afirmar que foi muito, muito legal vê-lo interagir com seus novos amigos, principalmente porque eles me fizeram rir bastante. Wyatt, Vik e Yuri são os amigos fiéis e mais maravilhosos, engraçados e inteligentes que o Tom poderia ter desejado ter. Esse quarteto apronta muito e nos faz entender que a verdadeira amizade é aquela que nos momentos mais difíceis, prevalece. Essa lição consegue estar uma e outra vez dentro das páginas de Insignia, apesar de as vezes me deixar morta de raiva porque só o Tom se ferra. Okay, estou exagerando, todos eles seguram a barra um do outro, mas o Tom é muito fofo e eu nunca queria que ele sofresse. Me julgue por estar apaixonada por um garoto de 14 anos! Se você lê o livro, não me julgará.
"Comecei a enxergar tudo aquilo em que um dia acreditei 'sob um prisma sombrio', como se diz. E, mesmo hoje, mesmo depois de tanto tempo, há coisas que, depois de vê-las com novos olhos, não podem mais ser vistas como antes"
Insígnia me ganhou desde o prólogo por seu uma distopia totalmente diferente de tudo que eu tenho lido, claro que como todos os livros há momentos que te dá raiva, os meus era quando o Tom entrava numa fria, mas posso afirmar que a leitura valeu muito a pena e mesmo eu demorando muito tempo para a concluir, não desejava que ele terminasse. Os personagens são realistas, as hipóteses e problemas levantados pela autora são totalmente plausíveis e essa distopia é a primeira que me fez enxergar que no futuro isso poderia realmente ocorrer. O livro levanta questionamentos internos do tipo: até onde o ser humano é capaz de ir para ter algo, e muitos outros. O livro não deixou nenhuma corda solta e, apesar, de saber que tem continuação é incrível como a autora conseguiu fechar bem o ciclo desse primeiro volume, no qual somos apresentados a um universo que as poucos vai nos mostrando o quanto tem a ver com o nosso atualmente. Daria 6 estrelas numa escala de 0 à 5, o livro é excelente, eu diria até de arrepiar, se Vortex, que é o segundo livro da trilogia, demorar demais a ser lançado, eu vou surtar!

Jornalista, taurina, viciada em livros, filmes, seriado e em conhecer novos lugares. Adora estudar inglês e acha que essa deveria ter sido sua língua mãe.

9 Comentários
Comentários

9 comentários

Write comentários
5 de outubro de 2013 21:26 delete

Se não fosse por sua resenha eu não daria nada a esse livro, já que costumo achar que histórias com guerras merecem algo muito complexo e nem sempre os autores conseguem. Mas por se tratar de uma distopia e que te agradou tanto acho que pode ser uma ótima leitura.
Se tiver a oportunidade de ler, espero gostar tanto quanto você.

Beijos,
Ricardo - www.overshockblog.com.br

Reply
avatar
Pâm Possani
AUTHOR
6 de outubro de 2013 01:18 delete

WOW!
Nem sabia que insignia era uma distopia, pra começo de conversa... Mas pela sua resenha super valeu a pena ter lido hein ?
Essa capa me lembrou the langoliers
os quotes que vc separou tb foram de matar :D
Um beijo!
Pâm
http://interruptedreamer.blogspot.com.br

Reply
avatar
6 de outubro de 2013 08:30 delete

Caramba, que história bacana, eu não daria a minima se passasse por ele na livraria, mas sua resenha foi bem esclarecedora, e mostrou o quão idiota eu seria se não o comprasse para ler. Gostei muito. Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

Reply
avatar
6 de outubro de 2013 11:46 delete

Amo distopias, mas essa não conhecia
Gostei bastante da dica e parece ser realmente um livro incrível

Beijos
@pocketlibro
http://pocketlibro.blogspot.com

Reply
avatar
6 de outubro de 2013 18:11 delete

OI nao conhecia o livro! Vou procura-lo para ler!
Bjs, me segue por favor se já segue ignore e comenta por favor nesse post ajudaria muito:
http://resenhasteen.blogspot.com.br/2013/10/entrevista-com-autora-suzy-m-hekamiah.html

Reply
avatar
6 de outubro de 2013 18:35 delete

Ahh, não vejo a hora desse livro chegar para mim. Eu também não sou muito de jogos, mas espero gostar.

Bjs, @dnisin
www.seja-cult.com

Reply
avatar
Lucas Gilmar
AUTHOR
7 de outubro de 2013 01:24 delete

kkkkkk, muito bom, beijos
livro-azul.blogspot.com.br

Reply
avatar
7 de outubro de 2013 15:37 delete

Não curto muito estórias de guerra, mas se é um pouco distópico eu já gostei.
Adorei sua resenha, pois não conhecia o livro.
Resenha #115 - Ilusões - Série Fadas - Volume 3 - Aprilynne Pike.
Confere lá!
Manuscrito de Cabeceira
Bjs.

Reply
avatar
Guuh
AUTHOR
2 de janeiro de 2014 02:33 delete

Estou com ele aqui do lado, estava sem animo para lee mas sua resenha me despertou interesse! Parabéns, você escreve muito bem!

Reply
avatar